sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Scorpion Child – Scorpion Child (2013)


Scorpion Child – Scorpion Child (2013)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)

   
01. Kings Highway   
02. Polygon of Eyes
03. The Secret Spot
04. Salvation Slave
05. Liquor
06. Antioch
07. In The Arms of Ecstasy
08. Paradigm
09. Red Blood (The River Flows)
10. Keep Goin (Lucifer’s Friend cover)

Antes de tudo, cabe dizer ao prezado leitor que a primeira revisão deste álbum foi publicada no ano de 2013 (resenha aqui). Com o mesmo finalmente ganhando uma versão nacional e já tendo se passado 3 anos de seu lançamento, optei por voltar a analisar o mesmo para uma nova resenha. Você certamente pode (e deve) estar se perguntando se isso é algo realmente necessário. Pretendo dar essa resposta nas próximas linhas.

Uma coisa é inegável, não só quando se trata de Metal, como de música em geral. Álbuns envelhecem. Alguns não perdem qualidade com a passagem do tempo e conseguem se manter relevantes, pois sua música consegue soar atemporal, mas outros não resistem ao teste do tempo e acabam por soar datados, perdendo parte de sua força. Não há nada de errado nisso, pois no final, são documentos que refletem o período em que foram compostos.

Felizmente o debut dos texanos do Scorpion Child parece se encaixar no primeiro grupo, por mais que um período de tempo de apenas 3 anos pareça pouco para se fazer tal afirmação. Talvez o fato de terem lançado e passado pelo teste de fogo do segundo álbum nesse ano de 2016 (resenha aqui) tenha influência em tal afirmativa minha, mas a verdade é que seu álbum de estreia me soa quase tão bom quanto da primeira vez em que o escutei.

Surgido em 2006, o grupo texano teve 7 anos para trabalhar e amadurecer bem suas composições antes do lançamento de seu primeiro trabalho e esse tempo foi de suma importância para irem construindo sua identidade. Em um período onde se tornou comum o surgimento de bandas que se enveredam pelos caminhos do Hard/Classic Metal setentista, com grande parte delas procurando emular a sonoridade do Black Sabbath, os americanos procuraram seguir outro caminho. Fazem parte de um seleto grupo de bandas, como Rival Sons, Uncle Acid and Deadbeats, Graveyard, Witchcraft ou Ghost, que mesmo sem negar suas influências, procuram dar suas caras às composições.

É inegável que a influência mais latente do Scorpion Child em seu debut foi o Led Zeppelin, com muito disso podendo ser colocado na conta do vocalista Aryn Jonathan Black, que em muitos momentos consegue soar como uma versão jovem de Robert Plant. Isso pode ser observado, por exemplo, em músicas como “Liquor”, com sua melodia contagiosa, “Antioch”, onde você jura se tratar de alguma faixa perdida do Led, “In The Arms of Ecstasy” e “Paradigm”. Mas limitar a música dos americanos a isso é soar raso. Temos aqui o Blues em “Kings Highway” (que refrão grudento), o Psicodélico em “The Secret Spot”, o Metal Tradicional em “Salvation Slave”, só para ficar em alguns exemplos. Querer negar a influência de outros nomes como Free, Humble Pie ou Lucifer’s Friend (que tem uma de suas músicas brilhantemente coverizada aqui) na música do Scorpion Child é querer dar murro em ponta de faca. Está tudo aqui, basta não se recusar a enxergar.

Excetuando-se “Paradigm”, que foi produzida pela própria banda, o restante do trabalho recebeu a produção de Chris Smith, com mixagem de Jason Buntz e masterização de Dave McNair. Conseguiram dar um ar retrô a gravação (você pode jurar em diversos momentos que o trabalho realmente foi gravado nos anos 70), mas com uma cara moderna, evitando que a mesma soasse datada. Já a capa foi obra de Dehron Hite-Benson.

Não foi sem motivo que tal trabalho entrou na minha lista de melhores de 2013, pois a qualidade demonstrada aqui é indiscutível. Já podíamos enxergar nele todo o potencial do Scorpion Child, que acabou por ser confirmado em seu novo álbum, Acid Roulette. “Ah, mas você está dando uma nota menor a ele hoje do que há 3 anos atrás!”. Sim, é verdade, mas isso se dá puramente pelo brilhantismo de seu novo trabalho e não por já não o considerar tão bom quanto antes. Como disse na época e repito, temos aqui uma banda que tem tudo para brilhar muito nos próximos anos.

NOTA: 8,5

Scorpion Child (gravação):
- Aryn Jonathan Black (vocal)
- Tom Frank (guitarra)
- Chris Cowart (guitarra)
- Shaun Avants (baixo)
- Shawn Alvear (bateria)

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter

The Foreshadowing - Seven Heads Ten Horns (2016)


The Foreshadowing - Seven Heads Ten Horns (2016)
(Cyclone Empire - Importado)


01. Ishtar
02. Fall of Heroes
03. Two Horizons
04. New Babylon
05. Lost Soldiers
06. 17
07. Until We Fail
08. Martyrdom
09. Nimrod (The Eerie Tower - Omelia - Collapse - Inno al Dolare)

O ano de 2016 está sendo excelente para os que apreciam Doom Metal e derivados do mesmo, tamanha a quantidade de ótimos lançamentos. Dentre esses, temos o 4º álbum de estúdio dos italianos do The Foreshadowing, Seven Heads Ten Horns, que tem como conceito a ideia da Europa como uma nova Babilônia, anunciando sua futura decadência e a ruína de um continente unido. Um tema bem atual, como podemos ver nos noticiários dos últimos meses.

Após 3 álbuns que fizeram a alegria dos fãs de Gothic/Doom mundo afora, consolidando assim seu nome como um dos principais do estilo, o The Foreshadowing passou por mudanças. Com a saída do baterista Jonah Padella, Giuseppe Orlando, ex-Novembre, que havia produzido o trabalho anterior da banda, acabou assumindo o posto, o que acabou alterando um pouco a dinâmica de som da banda. Mas calma, não estamos falando de algo drástico.

A atmosfera melancólica e sombria que sempre definiu bem o som dos italianos se mantém bem firme, como podemos observar em faixas como “Lost Soldiers” ou “17”, que possui um toque oriental bem interessante, mas na maior parte do tempo fica muito evidente que a entrada de Giuseppe abriu o leque de influências da banda, trazendo boa dose de Progressivo ao seu som e os aproximando um pouco mais de uma de suas maiores influências, o Katatonia.

Temos um exemplo bem claro disso em “Fall of Heroes”. Apesar do tradicional contraste entre o Gothic e o Doom, sempre presente em suas músicas, do refrão cativante e do clima melancólico, fica mais do que perceptível uma forte dinâmica progressiva na canção. Isso volta a surgir em outros momentos, como por exemplo, em “New Babylon”. Mas se quer mesmo entender esse momento do The Foreshadowing, pule diretamente para “Nimrod”, a épica faixa que encerra Seven Heads Ten Horns. Em seus 14 minutos de duração, divididos em 4 movimentos, temos a união perfeita dos dois lados da banda. Elementos progressivos, com um trabalho primoroso de bateria e baixo, e ótimas melodias que dão um ar bem sombrio à faixa, méritos dos ótimos vocais de Marco Benevento, das guitarras de Alessandro Pace e Andrea Chiodetti e do teclado de Francesco Sosto.

Com relação à produção, o trabalho foi mixado e masterizado no Hertz Studio, na Polônia, pelos irmãos Slawek e Wojtek Wieslawski, que já trabalharam com nomes como Behemoth, Vader e Decapitated. Trabalho de alto nível e que só reforçou ainda mais a qualidade da música do quinteto italiano. Já a capa é mais uma bela arte do grego Seth Siro Anton (Exodus, Moonspell, Paradise Lost, Soilwork, Nile, dentre outros), do Septicflesh.

Denso, bem emocional e carregado de uma atmosfera obscura, o The Foreshadowing procurou dar um passo à frente em sua música, mas sem alterar de forma profunda sua sonoridade já muito bem definida. E bem, conseguiram ser bem felizes em sua proposta. Um trabalho indispensável aos fãs de Gothic/Doom.

NOTA: 8,5

The Foreshadowing é:
- Marco Benevento (vocal)
- Alessandro Pace (guitarra)
- Andrea Chiodetti (guitarra)
- Francesco Giulianelli (baixo)
- Giuseppe Orlando (bateria)

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Gamma Ray - Heading for the East (2015)


Gamma Ray - Heading for the East (2015)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


Disc 1
01. Intro         
02. Lust for Life    
03. Heaven Can Wait    
04. Space Eater    
05. Free Time    
06. Who Do You Think You Are?

Disc 2
01. The Silence    
02. Save Us    
03. I Want Out    
04. Ride the Sky / Hold Your Ground    
05. Money    
06. Heading for Tomorrow    

Normalmente não sou fã de relançamentos, edições comemorativas e coisas do tipo, pois na maioria das vezes não trazem nada de muito relevante. São puramente caça-níqueis. Mas no caso da comemoração dos 25 anos de estrada do Gamma Ray, as coisas são um pouco diferentes. O material que vem sendo relançado está carregado de faixas bônus e como se isso não bastasse, até títulos que ainda não haviam ganho versão em CD estão se tornando acessíveis. São os casos de Lust for Live (resenha aqui) e desse Heading for the East, trabalhos ao vivo que só haviam ganhado versões em VHS e DVD.

Heading for the East foi gravado em 11 de Novembro de 1990, no Shibuya Kokaido Hall, em Tokyo, durante a turnê de Heading for Tomorrow (resenha aqui), e por isso a maior parte do seu repertório está concentrado neste. E bem, o que ouvimos aqui é uma banda com muita garra e cheia de energia, buscando naquele momento firmar seus pés entre as principais do estilo, algo que viria a ocorrer com os lançamentos posteriores. Já contando com Dirk Schlächter (guitarra) e Uli Kusch (bateria), que gravariam o álbum de estúdio seguinte, Sigh no More (resenha aqui), e com desempenhos brilhantes de Ralf e Kai, esse show é uma verdadeira celebração do Metal.

Com relação ao repertório, temos uma mescla de grandes canções, como “Heaven Can Wait”, “Lust for Life”, “Space Eater” e a épica “Heading for Tomorrow”, aqui com pouco mais de 24 minutos, clássicos absolutos do Helloween, “Save Us”, “I Want Out” e “Ride the Sky” e algumas que hoje em dia soam um pouco inocentes até, como “Free Time” ou “Money”. O resultado final dessa mistura é muito legal e empolga qualquer fã do Gamma Ray.

A qualidade do áudio é surpreendentemente boa, ainda mais levando em conta a época que o mesmo foi gravado. Originalmente o material recebeu a produção de Peter Ernst (Kreator, Rage), mas recebeu remasterização pelas mãos de Eike Freese, que vem trabalhando em conjunto com a banda já há algum tempo. Já a capa original, de Henni Hill, foi substituída por uma de Hervé Monjeaud. E para variar, o encarte vem recheado de informações e fotos, como o de todos os trabalhos desse tipo deveriam ser.

O que temos em mãos, amigos, não é um simples CD, mas um documento histórico que representa uma época importante do Metal, o que faz desse material algo obrigatório não só para os fãs de Gamma Ray, como para amantes de boa música.

NOTA: 8,5

Gamma Ray (gravação):
- Ralf Scheepers (vocal)
- Kai Hansen (guitarra)
- Dirk Schlächter (guitarra)
- Uwe Wessel (baixo)
- Uli Kusch (bateria)

Outros
- Jörn Ellerbrock (teclado)

Homepage
Facebook

Moonsorrow - Jumalten Aika (2016)


Moonsorrow - Jumalten Aika (2016)
(Century Media Records - Importado)


01 - Jumalten Aika
02 - Ruttolehto incl. Päivättömän Päivän Kansa
03 - Suden Tunti
04 - Mimisbrunn
05 - Ihmisen Aika (Kumarrus Pimeyteen)

Apesar de raro, existem no Metal algumas bandas com 100% de aproveitamento em seus lançamentos. Esse certamente é o caso dos finlandeses do Moonsorrow, que desde a sua estreia em 2001 com Suden uni, vêm enfileirando um clássico atrás do outro, com seu Pagan/Black Metal que, graças às influências de Folk, adquiriu uma sonoridade única e complexa. Após um hiato de 5 anos, desde o lançamento do primoroso Varjoina kuljemme kuolleiden maassa (sim, adotam sua língua pátria nos lançamentos), retornam com seu 7º álbum de estúdio, intitulado Jumalten Aika.

Uma das maiores e melhores características do Moonsorrow foi o de sempre empurrar seu limite mais para frente a cada lançamento. Sem fugir do seu Pagan Black Metal, nunca repetem um trabalho, sempre adicionando algo novo à sua mistura, o que não é diferente aqui. Durante a audição do trabalho, em vários momentos poderá escutar uma presença bem interessante de elementos xamânicos, seja no instrumental ou através de alguns cantos (cortesia de Jonne Järvelä, do Korpiklaani). Apesar de não ser algo escancarado e que fique excessivamente evidente, esses momentos estão lá presentes em algumas passagens mais atmosféricas.

O processo de canções mais longas que se iniciou em Verisäkeet (05), chega a seu ápice em Jumalten Aika, já que das 5 canções aqui presentes, 3 ultrapassam a marca dos 15 minutos, uma dos 12 e apenas Suden Tunti tem menos de 10, totalizando assim mais de 1 hora de música. Mas a qualidade é tanta que você sequer vê o tempo passar. A melancolia que sempre se fez presente em suas canções continua uma marca muito forte, estando presente durante toda a audição, assim como a complexidade de praxe. Aliás, me impressiona como apesar de forjarem temas complexos, com uma infinidade de detalhes a serem notados, as músicas do Moonsorrow fluem com uma naturalidade e facilidade ímpar.

Acho que sem exagero, posso afirmar que Ville Sorvali se encontra no seu auge vocal, soando mais emotivo e poderoso que nunca com seus urros. Seu trabalho no baixo também é primoroso e aqui seu instrumento soa ainda mais proeminente que em trabalhos anteriores. As guitarras de Henri Sorvali e Mitija Harvilahti estão soando mais poderosas que nunca, enquanto Marko Tarvonen destrói tudo em seu kit de bateria. Já Markus Eurén mostra sua já conhecida categoria nos teclados, gerando uma atmosfera bem sombria.



O retrato mais fiel de Jumalten Aika é sem dúvida a espetacular “Ruttolehto”, onde você encontra todas as características que fazem desse trabalho um clássico. De cara, arrisco dizer que a mesma é a melhor música já composta pelos finlandeses. Aqui você encontra Ville em seu ápice, transbordando emoção em seus vocais, com direito a gritos angustiados. Depara-se também com riffs totalmente Black Metal (com algumas reminiscências de Burzum), blast beats furiosos, coros e melodias grudentas. Também irá encontrar elementos Folk e trechos atmosféricos recheados de elementos xamânicos. Decididamente uma canção épica.

Mas não pensem que as demais canções ficam muito atrás. Já na abertura, temos a épica faixa título, com seus riffs bombásticos, refrão melódico e partes Folk/Xâmanicas. Apesar de ter quase 13 minutos, ela consegue soar muito direta e você mal nota o tempo passar. “Mimisbrunn”, com seus quase 16 minutos, por pouco não toma o posto de “Ruttolehto”, graças a seu peso, suas melodias intensas, seus trechos acústicos, flautas e certo toque orquestral. O encerramento com “Ihmisen Aika” também beira a perfeição, com seus vocais emocionais, passagens acústicas e melodia triunfante. É daquelas canções que vão crescendo minuto a minuto, finalizando de maneira épica o trabalho. A única canção que impede que Jumalten Aika seja perfeito é “Suden Tunti” (justamente a música de trabalho), a mais curta de todas, com seu ritmo marcial e todos os demais elementos que se fazem presentes no álbum. Localizada bem no meio, serve como uma canção de transição entre uma parte e outra. Está longe de ser fraca e pode ser considerada melhor do que 90% do que é lançado sobre o rótulo de Pagan Black por ai, mas está um pouco abaixo das outras já citadas.

A gravação passou por três estúdios diferentes, o Finnvox, o Sonic Pump e o In The Woods, sendo que a mixagem foi feita pela dupla Henri Sorvali e Ahti Kortelainen (Sonata Arctica, Impaled Nazarene, Sentenced, Kalmah) no Tico Tico Studio. Já a masterização, ocorrida no Finnvox, ficou a cargo de Mika Jussila (Amorphis, Nightwish, Edguy, Moonspell, Stratovarius, Avantasia). Conseguiram deixar cada detalhe audível, mas sem tirar a agressividade e o clima sombrio necessário a um álbum de Pagan Black. Já a bela arte da capa é obra de Ritual (Impaled Nazarene, Ensiferum).

Mais uma vez o Moonsorrow não decepciona, lançando um trabalho primoroso e que pode ser considerado seu melhor trabalho até então, mesmo diante de uma discografia composta apenas de trabalhos clássicos. E em se tratando de uma banda que nunca se repete e sempre busca se renovar, fica a pergunta. Até onde podem chegar?

NOTA: 9,5

Moonsorrow é:
- Ville Sorvali (vocal/baixo)
- Henri Sorvali (guitarra)
- Mitija Harvilahti (guitarra)
- Marko Tarvonen (bateria)
- Markus Eurén (teclado)

Homepage
Facebook
Twitter

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Rage - The Devil Strikes Again (2016)

 
Rage - The Devil Strikes Again (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


Disco 1
01. The Devil Strikes Again    
02. My Way    
03. Back on Track    
04. The Final Curtain    
05. War    
06. Ocean Full of Tears    
07. Deaf, Dumb and Blind    
08. Spirits of the Night    
09. Times of Darkness    
10. The Dark Side of the Sun
    
Disc 2
01. Bring Me Down    
02. Requiem    
03. Into the Fire    
04. Slave to the Grind (Skid Row cover)    
05. Bravado (Rush cover)    
06. Open Fire (Y&T cover)

Se formos contar apenas o período em que alteraram seu nome de Avenger para Rage, já são três décadas de estrada, dezenas de lançamentos e infindáveis mudanças de formação. Na última, ano passado, saíram o baterista André Hilgers e o guitarrista Victor Smolski, talvez o grande responsável pelo direcionamento musical do grupo alemão nos últimos 15 anos (e 7 álbuns). Coube mais uma vez a Peter “Peavy” Wagner manter o Rage vivo, contando agora ao seu lado com o guitarrista Marcos Rodríguez (Soundchaser) e o baterista Vassilios "Lucky" Maniatopoulos.

Após finalizar a audição de The Devil Strikes Again, 21º álbum de estúdio do trio alemão, me perguntei o quanto de influência os demais projetos de Peavy não tiveram sobre esse trabalho. Hoje o mesmo mantém o Lingua Mortis Orchestra, onde dá vazão ao lado sinfônico de sua música e também outro trio, o Refuge, que montou com outros dois ex-companheiros de Rage, ninguém menos que o guitarrista Manni Schmidt e o baterista Chris Efthimiadis, revivendo uma formação que gravou ao menos 5 grandes álbuns entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, dentre eles os clássicos Perfect Man (88) e The Missing Link (93).

E se me fiz tal pergunta acima, isso tem um motivo muito forte. Em The Devil Strikes Again, Peavy busca nitidamente recuperar a energia dos anos 80/90, o que resultou em um trabalho que pode remeter a clássicos como o já citado The Missing Link e a Black in Mind (95) (que ainda contava com Chris na bateria). A música aqui contida é o que podemos definir de curtas e grossas, com canções cruas, velozes, simples em sua estrutura, com ótimas melodias e riffs bem agressivos. É sem sombra de dúvidas, o álbum menos “progressista” lançado pelo Rage em muito tempo e o mais direto em décadas.

E vejam bem, quando falo em riffs agressivos, eu estou realmente falando sério. Em muitos momentos chegam a resvalar no Thrash e no Speed Metal de outrora. Não acredita? Escute então “Ocean Full of Tears”, com bom groove e ótimo refrão (uma das características mais marcantes desse trabalho), a acelerada “The Dark Side of the Sun”, com um ótimo solo e algumas passagens com influências orientais e a acelerada “The Devil Strikes Again”, com suas melodias fortes e sua crueza e comprove o que eu digo. Outras que certamente agradarão são “War”, com sua melodia cativante e seu riff galopante, a pesada “My Way”, com um refrão épico e “Times of Darkness”, que vai te fazer bater cabeça sem perceber.

A produção ficou por conta do guitarrista Marcos Rodriguez, enquanto a mixagem e a masterização foram feitas pelo mestre Dan Swanö (Bloodbath, Dark Funeral, Dissection, Edge of Sanity, Katatonia, Marduk, Novembers Doom, Opeth, Pain). O som ficou bem cheio, com destaque principalmente para os riffs. Já a capa foi obra de Karim König e define bem o material aqui contido.

Na versão nacional, ainda temos um CD bônus que saiu na versão digipack europeia de The Devil Strikes Again, o que torna a aquisição desse material ainda mais interessante. Enfatizando acima de tudo o peso da banda, o Rage se mostra acima de tudo revigorado e vai agradar em cheio aqueles que sentiam falta de algo mais direto vindo da banda. Um grande álbum, sem dúvida alguma.

NOTA: 8,0

Rage é:
- Peter "Peavy" Wagner (vocal/baixo)
- Marcos Rodríguez (guitarra)
- Vassilios "Lucky" Maniatopoulos (bateria)

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube

Suicidal Angels - Division of Blood (2016)


Suicidal Angels - Division of Blood (2016)
(NoiseArt Records - Importado)


01. Capital of War
02. Division of Blood
03. Eternally to Suffer
04. Image of the Serpent
05. Set the Cities on Fire
06. Frontgate
07. Bullet in the Chamber
08. Cold Blood Murder
09. Of Thy Shall Bring the Light

Chegando a seu 6º álbum nos últimos 9 anos, os gregos do Suicidal Angels já dispensam apresentações, sendo uma das principais bandas dessa nova geração do Thrash Metal. Com sua sonoridade Old School, que soa como uma mescla do Slayer com o Kreator, encontraram uma fórmula em Dead Again (10) e desde então vêm seguindo a mesma à risca, optando por não correr riscos. Afinal, por que mexer em time que está ganhando?

Uma aposta desse tipo é sempre arriscada, afinal sempre se corre o risco de soar repetitivo e receber acusações de estar lançando sempre o mesmo álbum. Felizmente esse não é o caso dos gregos. Claro, aqui você irá encontrar tudo que espera de um álbum deles, ou seja, Thrash Metal Old School, canções rápidas, os vocais bem característicos de Nick Melissourgos e muita energia em cada canção. Mas de alguma forma, conseguem fazer isso sem soarem datados, como se estivéssemos diante de uma versão moderna das bandas clássicas dos anos 80.

Na maior parte do tempo, nos deparamos com canções de andamento mais rápido, vide por exemplo a curta e técnica “Image of the Serpent” e a carregada de adrenalina “Set the Cities on Fire”, verdadeiras pauladas do primeiro ao último segundo. Indubitavelmente, dois dos destaques de Division Of Blood. Mas não pense que o Suicidal Angels se limita apenas a isso. A furiosa faixa de abertura, “Capital of War”, além de possuir um ótimo trabalho de guitarras, se destaca por boas mudanças rítmicas e pelo excelente trabalho de baixo e bateria. Já a bruta “Of Thy Shall Bring the Light”, que encerra o álbum, tem uma levada mid tempo.

Individualmente não se tem muito que falar aqui. Nick não só executa um belo trabalho vocal, como em parceria com o estreante Gus Drax, despejam riffs tipicamente Thrash, que cativam fácil o ouvinte. Já Aggelos Lelikakis (baixo) e Orpheas Tzortzopoulos (bateria) conseguem formar uma parte rítmica não só técnica, segura e coesa, como também capaz de dar a variedade que a música do Suicidal Angels necessita para não soar repetitiva e cansativa.

Gravado no Soundlodge Studios, na Alemanha, Division Of Blood teve a produção de Jörg Uken (Dew-Scented, Sinister, Bloodbath, God Dethroned) e possui boa qualidade, já que Jörg conseguiu aliar o clima Old School com uma produção moderna. Já a capa dispensa apresentações, sendo mais uma obra do mestre Ed Repka (Megadeth, Death, entre muitos outros).

Cheio de energia, divertido e com algumas canções simplesmente viciantes, Division Of Blood não vai decepcionar os fãs da banda, já que vem no mesmo embalo dos trabalhos anteriores e vai agradar em cheio os que curtem um Thrash Metal mais clássico, mas com sonoridade mais moderna.

NOTA: 8,5

Suicidal Angels é:
- Nick Melissourgos (vocal/guitarra)
- Gus Drax (guitarra)
- Aggelos Lelikakis (baixo)
- Orpheas Tzortzopoulos (bateria)

Homepage
Facebook

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Gamma Ray - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)

Gamma Ray - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


Disco 1:
01. Changes
02. Rich & Famous
03. As Time Goes By    
04. (We Won't) Stop the War    
05. Father and Son    
06. One with the World    
07. Start Running    
08. Countdown
09. Dream Healer
10. The Spirit
11. Sail On (Live)        
12. Changes (Live)

Disco 2:
01. One with the World (Live at Wacken 2011)    
02. Dream Healer (Live in Montreal 2006)    
03. Changes (Blast from the Past version)         
04. Rich and Famous (Blast from the Past version)         
05. One with the World (Blast from the Past version)         
06. Dream Healer (Blast from the Past version)        
07. Heroes (Preproduction)        
08. Dream Healer (Preproduction)        
09. As Times Goes By (Preproduction)         
10. (We Won’t) Stop the War (Preproduction)         
11. Dream Healer (Demo)        
12. Rich and Famous (Demo)    

Após sair do Helloween, Kai Hansen montou o Gamma Ray e começou a produzir freneticamente. Entre 1990 e 1991, soltou não só o elogiado debut da banda, Heading for Tomorrow, como também um EP (Heaven Can Wait), um vídeo da turnê de estreia (Heading for the East) e em seguida, já liberou seu 2º álbum, Sigh no More. Em um primeiro momento, não foi tão bem recebido, mas hoje, analisando de forma imparcial, podemos perceber como certas críticas foram injustas.

O maior “problema” de Sigh no More é não ser um típico álbum de Power Metal, como era esperado pelos fãs. Claro que temos presentes aqui canções com melodias, velozes, potentes, como manda a receita do estilo, mas na maior parte do tempo as influências de estilos como Metal Tradicional e Hard Rock ficam evidentes. Se isso por um lado o torna um trabalho menos típico do estilo, por outro dá a ele uma variedade maior.

Antes de falar mais um pouco do lado musical, vale ressaltar que Sigh no More apresentas duas mudanças em relação à formação que gravou Heading for Tomorrow, uma delas bem marcante. No lugar do baterista Matthias Burchardt, entrou Uli Kusch, que tempos depois assumiria as baquetas do Helloween, e a principal, Dirk Schlächter assumiu a outra guitarra, posto em que se manteve até 1997, quando migrou para o baixo (para quem não sabe, tocou o instrumento em duas músicas do debut, como convidado), onde permanece até hoje.

A sequência inicial é simplesmente matadora. “Changes” abre os trabalhos causando um pouco de estranhamento a quem esperava uma faixa típica do estilo, já que começa mais lenta e foge da fórmula tradicional. Com seu andamento mais variado, tem como destaques o desempenho de Ralf e o ótimo trabalho de guitarras. Em seguida, duas canções mais rápidas e de ótima qualidade, “Rich & Famous”, com refrão cativante e ótimos solos e “As Time Goes By”, uma das mais rápidas de Sigh no More, sendo outra que possui um refrão marcante. As três podem entrar tranquilamente no hall das faixas clássicas da banda. O problema é que dai para frente a inconstância toma conta do álbum, alternando entre faixas medianas ou fracas, como “(We Won't) Stop the War”, “Father and Son” e “Countdown” e que se aproximam em muito do trio inicial, como as típicas “One with the World” e “Start Running”, que possuem a sonoridade clássica do Gamma Ray e a quase épica e variada “Dream Healer”, com suas boas melodias e ótimo trabalho da dupla Kai e Dirk.

Essa edição de aniversário possui um Cd bônus muito legal, contendo versões ao vivo, regravações, demos e versões de pré-produção. Material que certamente fará a alegria dos fãs do Gamma Ray. Originalmente, Sigh no More foi gravado no KARO Studios, com produção e mixagem de Tommy Newton (Helloween, Kreator, Kamelot). Aqui, passou por uma remasterização pelas mãos de Eike Freese (Dark Age, Deep Purple, Deadlock) no Chameleon Studios. Já a capa original, de Roger Gorman (Metallica, Queensrÿche), foi substituída por uma de Hervé Monjeaud (Iron Maiden, Silent Force, Persuader) e o encarte, além de contar um pouco sobre essa fase da banda, também vem recheado de fotos. Ou seja, capricharam no pacote.

O tempo passa, as pessoas vão amadurecendo e deixando certos radicalismos de lado. Recebido com ressalvas na época de seu lançamento, Sigh no More acabou envelhecendo bem e se mostra hoje um álbum bem mais interessante, que foge da fórmula tradicional de se fazer Power Metal. Variado, pesado, com ótimas melodias e desempenhos individuais brilhantes, principalmente do trio Ralf, Kai e Dirk, talvez seja o momento de darmos uma segunda chance ao mesmo. Pode não ser o melhor trabalho dos alemães, mas ainda sim merece muito o nosso respeito.

NOTA: 8,0

Gamma Ray (gravação)
- Ralf Scheepers (vocal)
- Kai Hansen (guitarra)
- Dirk Schlächter (guitarra)
- Uwe Wessel (baixo)
- Uli Kusch (bateria)

Participações especiais:
- Piet Sielck (teclado/backings vocals)
- Tommy Hansen (teclado)
- Fritz Randow (tarol militar na faixa 6)
- Tommy Newton (guitarra nas faixas 5 e 8/backings vocals)
- Rolf Köhler (backings vocals)

Homepage
Facebook