segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Abysmal Grief - Reveal Nothing (2016)


Abysmal Grief - Reveal Nothing (2016)
(Terror From Hell Records - Importado)


01. Cursed Be The Rite (Bonus Track – recorded in 2016)
02. Exsequia Occulta (2000 – Exsequia Occulta MCD)
03. Sepulchre Of Misfortune(2000 – Exsequia Occulta MCD)
04. Hearse (2002 – Hearse 7”EP)
05. Borgo Pass (2002 – Hearse 7”EP)
06. Creatures From The Grave (2004 – Split W/Tony Tears 7”EP)
07. Brides Of The Goat (2009 – Split W/Denial Of God 7”EP)
08. The Samhain Feast (2009 – The Samhain Feast 7”EP)
09. Grimorium Verum (2009 – The Samhain Feast 7”EP)
10. Celebrate What They Fear (2012 – Celebrate What They Fear 7”EP)
11. Chains Of Death (2012 – Celebrate What They Fear 7”EP)

E lá se vão 20 anos de bons serviços prestados ao Doom Metal pelos italianos do Abysmal Grief. Mas nesse aniversário, quem ganha o presente são os fãs da banda, através de um belíssimo box feito em madeira intitulado 20th Anniversary Box. Nele, encontramos o CD Reveal Nothing, a fita cassete de Mors te Audit, segunda demo dos italianos, que foi lançada em 1999 e limitada na época a 13 cópias, uma camisa e um poster exclusivos, um pin de metal, um certificado assinado pela banda e, o item mais curioso de todos, incluso na versão europeia do mesmo, um saco de veludo contendo terra de cemitério. Na versão para o restante do mundo, esse item é substituído por um incenso. Que presentão, hein?

Mas vamos ao que interessa, que é o CD Reveal Nothing. Nele encontramos faixas raras ou fora de catálogo, que saíram entre os anos de 2000 e 2012 em singles, 7”EP’s e splits com outras bandas. Além disso, ele conta com uma faixa inédita, gravada com a atual formação, que curiosamente é a original (excetuando-se pela ausência do vocalista Garian), e que, após idas e vindas de alguns dos membros, voltou a se reunir a partir de 2013. E bem, quem conhece o trabalho dos italianos, sabe exatamente com o que irá se deparar, ou seja, canções fortes, sombrias, com levadas hipnóticas e densas, de uma “tristeza abismal”.

É indiscutível a capacidade que a música do Abysmal Grief possui de cativar o ouvinte. Os vocais de Labes C. Necrothytus seguem, na maior parte do tempo, aquela linha gótica, com poucos momentos mais agressivos, encaixados cuidadosamente quando necessários. Além disso, seus teclados dão um toque especialmente sinistro ao instrumental. Regen Graves mostra uma capacidade ímpar de criar ritmos quase ritualísticos com sua guitarra, gerando assim uma atmosfera para lá de opressiva. Ambos são muitíssimo bem acompanhados por Lord Alastair (baixo) e Lord of Fog (bateria), que formam uma parte rítmica de respeito, pesada, variada, técnica e com coesão de sobra.


O CD abre justamente com a faixa inédita, “Cursed Be The Rite”, que possui melodias realmente inspiradas, além de um uso brilhante do sintetizador. É dessas realmente grudentas. Em seguida, as duas músicas do primeiro single da banda, de 2000, “Exsequia Occulta”, um épico monstruoso de mais de 13 minutos e  “Sepulchre Of Misfortune”, onde os vocais sombrios se destacam. “Hearse” e “Borgo Pass”, do 7”EP Hearse (02), se destacam pelo clima gótico e pendem para o Occult Rock, com algumas ótimas melodias. “Creatures From The Grave” faz parte do split de mesmo nome lançando em conjunto com Tony Tears (que tocou baixo no Abysmal entre 99 e 2000) e tem uma levada um pouco mais rápida que as demais. Já  “Brides Of The Goat”, do split com o dinamarquês Denial Of God, possui uma atmosfera bem escura. Retiradas do 7”EP  The Samhain Feast, temos a faixa título e Grimorium Verum, sendo a primeira carregada de energia e a segunda, se destacando pelos ótimos sintetizadores. Encerrando os trabalhos, “Celebrate What They Fear” e “Chains Of Death” (cover do Death SS), ambas do 7”EP Celebrate What They Fear e que mantêm o altíssimo nível do trabalho. Ficaram de fora algumas faixas inéditas lançadas em splits pós 2012, assim como as que saíram na compilação We Lead the Procession (limitada a 500 cópias), dentre elas, um cover do Bathory e outro do Death SS. Quem sabe no aniversário de 30 anos!

Ao final da audição, mesmo após 78 minutos de (boa) música, fica aquela sensação de que tudo passou em um piscar de olhos. E ai, lá vai você colocar o álbum no repeat. Com atmosferas densas, sombrias e pesadas, o Abysmal Grief dá à nova geração uma verdadeira aula de como mesclar Doom, Occult e Gothic com perfeição. Um trabalho verdadeiramente hipnotizante.

NOTA: 8,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 65. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo.

Download e leitura: https://goo.gl/csZQEL

Abysmal Grief é:
- Labes C. Necrothytus (vocal/teclado);
- Regen Graves (guitarra);
- Lord Alastair (baixo);
- Lord of Fog (bateria).

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Beyond the Black - Lost In Forever (Tour Edition) (2017)


Beyond the Black - Lost In Forever (Tour Edition) (2017)
(Hellion Records - Nacional)


01. Lost In Forever
02. Beautiful Lies
03. Written In Blood
04. Against The World
05. Beyond The Mirror
06. Halo Of The Dark
07. Dies Irae
08. Forget My Name
09. Burning In Flames
10. Nevermore
11. Shine And Shade
12. Heaven In Hell
13. Love's A Burden
14. The Other Side
15. Dim The Spotlight
16. Our Little Time
17. Rage Before The Storm

Não dá para negar que a cena do Metal Sinfônico estagnou nos últimos anos e, salvo raras exceções, a maior parte dos trabalhos é comum e repete os mesmos clichês de sempre do estilo. Sendo assim, não deixa de ser uma surpresa que uma banda novata, como a alemã Beyond the Black, possa estar fazendo um relativo barulho desde o lançamento de seu debut, Songs of Love and Death (15). E por que digo isso? Elementar, meu caro Watson (sim, temos um Xeroque Holmes aqui), isso se dá porque não apresentam absolutamente nada de novo em matéria de sonoridade.

O Beyond the Black, se aproveitando dos bons resultados obtidos por seu álbum de estreia, não quis perder muito tempo, já partindo quase que imediatamente para estúdio, soltando assim já no início do ano passado o seu segundo trabalho, Lost In Forever, que ganhou agora uma Tour Edition, com 4 faixas bônus e que está sendo lançado no Brasil pela Hellion. Nele, seguiram quase à risca aquele ditado do “não se mexe em time que está ganhando”, já que pouca coisa mudou em relação a Songs of Love and Death. Efetivamente, as únicas diferenças aqui se dão pela participação de Rick Altzi (At Vance, Masterplan), que divide os vocais com Jennifer Haben em “Beautiful Lies” e por uma maior quantidade de vocais masculinos agressivos, se aproximando um pouco nesse sentido do que faz, por exemplo, o Epica.

Basicamente, são canções que seguem a fórmula padrão do Metal Sinfônico, com boas partes melódicas, bom trabalho de guitarra, em canções claramente orientadas para os refrões fortes e de fácil assimilação e principalmente, para a ótima Jennifer Haben, que já pode ser colocada sim entre as principais vozes femininas do Metal. Tudo isso acaba dando uma boa dose de acessibilidade à sonoridade do Beyond the Black (e que pode incomodar um pouco no início), mesmo que não abram mão do peso na maior parte do tempo. Para que a audição não se torne cansativa, optaram por alternar canções mais “épicas” com (semi) baladas, o que ajuda muito no final, já que sem isso, as chances do trabalho se tornar maçante seriam grandes.


Na maior parte do tempo, você fica com aquela sensação do “já ouvi isso antes”, já que boa parte das canções soa familiar aos ouvidos mais acostumados com o estilo. “Lost In Forever” é uma boa faixa de abertura, graças às partes sinfônicas, que ficaram muito boas, e ao refrão para lá de grudento. O bom equilíbrio entre as orquestrações e o lado Metal dão o tom em “Beautiful Lies”, que conta com a já citada participação de Rick Altzi, que acaba dando um bom diferencial à canção. Já “Written In Blood”, além de possuir peso, tem um refrão que empolga. A sequência composta pelas ótimas “Halo Of The Dark” e “Dies Irae” é outro destaque aqui, pela energia que passam. Outra que vale a pena citar é “Heaven In Hell”, que se destaca não só pelo seu peso, como por possuir uma boa dose de agressividade. Já entre as 4 canções que vieram de bônus, os destaques ficam por conta da bela balada “The Other Side” e principalmente “Rage Before The Storm”, divertida e com um refrão daqueles forjado sobre medida para todos cantarem nos shows da banda.

Falta identidade ao Beyond the Black? Sim, já que durante toda a audição, nomes como Nightwish, Epica, After Forever e Withim Temptation virão à sua cabeça. Isso se torna um grande problema? No final das contas, nem tanto, e por dois motivos simples: a honestidade com a qual tocam e, principalmente, a energia que imprimem em suas canções. Isso acaba por compensar a já citada sensação do “já ouvi isso antes” que perdura por toda a audição de Lost In Forever. Um fato curioso é que, após o lançamento do trabalho no ano passado, a banda passou por uma reformulação radical, só ficando Jennifer da formação que gravou esse álbum.

O Beyond the Black possui um potencial razoável de crescimento e pode se tornar tão grande quanto um Epica, por exemplo. Basta ter mais calma e no próximo lançamento, trabalhar um pouco mais as canções, sem a correria para lançar um novo álbum em um curto espaço de tempo. E claro, ousar um pouco mais, já que ter uma identidade própria não mata ninguém.

NOTA: 7,0

Beyond the Black (gravação):
- Jennifer Haben (vocal);
- Nils Lesser (guitarra);
- Christopher Hummels (guitarra/vocal);
- Erwin Schmidt (baixo);
- Tobias Derer (bateria);
- Michael Hauser (teclado).

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Stratovarius - Destiny (1998/2016)


Stratovarius - Destiny (1998/2016)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


CD1
01. Destiny
02. S.O.S.
03. No Turning Back
04. 4000 Rainy Nights
05. Rebel
06. Years Go By
07. Playing With Fire
08. Venus In The Morning
09. Anthem Of The World
Bonus Tracks
10. Cold Winter Nights (European Edition Bonus Track)
11. Dream With Me (Japanese Edition Bonus Track)
12. Blackout (US Edition bonus track)

CD2 – Visions Of Destiny
01. Destiny
02. Paradise
03. Speed Of Light
04. S.O.S.
05. Anthem Of The World
06. Forever Free
07. Black Diamond
08. The Kiss Of Judas
09. Distant Skies
10. Forever

Definitivamente, a alemã earMusic vêm prestando um grande serviços aos amantes do Power Metal Melódico. Primeiro, vieram os relançamentos do Gamma Ray, remasterizados e recheados de materiais extras relevantes. Agora, chegou a vez de colocar no mercado todo o catálogo do Stratovarius, igualmente acompanhado de bônus e nova masterização. E bem, nada melhor do que começar isso lançando um dos grandes trabalhos do grupo finlandês, um álbum que fecha a sua era de ouro.

No período compreendido entre 1995 e 1998, o Stratovarius lançou 4 verdadeiras joias que marcaram seu auge criativo, Fourth Dimension (95), Episode (96), Visions (97) e Destiny (98). É justamente esse último que agora está sendo relançado, acompanhado do bootleg Visions Of Destiny, gravado na turnê de 1999 e que capta toda a força da banda naquele momento ímpar de sua carreira. Não soa como exagero dizer que também marca o fim de uma era. Por mais que Timo Kotipelto (vocal), Timo Tolkki (guitarra), Jari Kainulainen (baixo), Jörg Michael (bateria) e Jens Johansson (teclado) (os dois últimos não tocaram em Fourth Dimension, já que seus postos eram ocupados respectivamente por Tuomo Lassila e Antti Ikonen) ainda tenham gravado mais alguns álbuns juntos posteriormente a esse, algo já havia se quebrado, como em um prenúncio da crise que se abateria sobre os finlandeses anos depois e que quase decretou o fim da banda.

Destiny é um trabalho que chega perto da perfeição em matéria de Metal Melódico, tamanha sua qualidade. E só não a alcança por dois motivos, ter vindo depois de Visions, o auge criativo do Stratovarius, e exagerar no número de baladas presentes. Sim, porque por mais que o quinteto soubesse compor uma balada como poucos, acaba soando um pouco exagerado ter 3 delas em um álbum com 9 músicas. Ainda assim, aqui temos uma verdadeira aula de como mesclar Power Metal, passagens Prog, elementos sinfônicos, melodias grudentas e refrões marcantes.

Em sua versão original, Destiny possuía faixas verdadeiramente épicas em seu início e final. De cara, a faixa título, uma das composições mais fortes da história do Stratovarius. Um épico progressivo de mais de 10 minutos, com ótimos riffs e duetos da guitarra de Tolkki com o teclado de Johansson, elementos neoclássicos e um refrão marcante. Encerrando, tínhamos “Anthem Of The World”, com boas mudanças de andamento, melodias abundantes e um trabalho primoroso de Jens e seu instrumento. No quesito faixas rápidas, também não ficam devendo. “S.O.S.” possui riffs fortes, melodias cativantes, refrão marcante e um certo apelo pop. Já “No Turning Back” consegue ser quase tão boa quanto a clássica “Speed Of Light”, sendo possível traçar um paralelo entre as duas. Destaque para a bateria de Jörg Michael, que soa poderosa. Essas características também se fazem presentes em “Rebel” e suas ótimas melodias e duelos entre Tolkki e Johansson. A última da categoria “faixas rápidas” é “Playing With Fire”, enérgica, cativante e com uma pegada rocker.


O trabalho é complementado originalmente por mais 3 baladas. Ok, o Stratovarius sempre teve o dom para as mesmas, mas em um trabalho de 9 músicas, 33% das mesmas serem baladas soa um pouco exagerado. Ainda assim, é impossível questionar a qualidade de uma canção como “4000 Rainy Nights”, com um clima pomposo, uma ótima melodia e um refrão para lá de marcante. Uma das melhores de toda a carreira dos finlandeses. “Years Go By” é a faixa que eu tiraria de Destiny. Não, ela não é ruim, até possui um bom trabalho de guitarra, mas é indiscutivelmente a mais fraca das 3 baladas aqui presentes. Ainda temos “Venus In The Morning”, mais delicada, com um bom apelo progressivo e boa utilização de elementos sinfônicos.

Agora vamos ao material extra aqui presentes. No primeiro Cd, temos 3 canções que saíram de bônus respectivamente nas versões europeia, japonesa e americana. Dessas, “Cold Winter Nights” é certamente a melhor de todas. Rápida, melódica e cheia de energia, deveria ter entrado na versão padrão de Destiny, no lugar de “Years Go By”. “Dream With Me” é mais uma balada de qualidade, com destaque para sua bela linha de piano. Encerrando, temos uma versão para a clássica “Blackout”, do Scorpions, que ficou muito legal. Já no segundo Cd, temos o raro (até então) bootleg Visions Of Destiny, gravado no ano de 1999 durante a turnê de Destiny. Aqui temos uma mescla perfeita entre antigos clássicos, como “Paradise”, “Speed Of Light”, “Forever Free” ou “Black Diamond” e ótimas músicas presentes no álbum. Nele, podemos ouvir o Stratovarius em seu auge.

Felizmente a Shinigami nos presenteou com uma versão nacional desse clássico. A remasterização (realizada por Mika Jussila, o mesmo que masterizou o material original) fez muito bem ao álbum, o deixando ainda mais vibrante, e além de uma nova capa, o encarte ainda conta com notas abordando o período e muitas fotos. Em suma, um material imperdível, não só para os fãs da banda, como para qualquer um que aprecie Power Metal de qualidade. Realmente obrigatório!

NOTA: 9,0

Stratovarius (gravação):
- Timo Kotipelto (vocal);
- Timo Tolkki (guitarra);
- Jari Kainulainen (baixo);
- Jörg Michael (bateria);
- Jens Johansson (teclado).

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

The Dead Daisies - Make Some Noise (2016)


The Dead Daisies - Make Some Noise (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Long Way To Go
02. We All Fall Down
03. Song and a Prayer
04. Mainline
05. Make Some Noise
06. Fortunate Son (Creedence Clearwater Revival cover)
07. Last Time I Saw the Sun
08. Mine All Mine
09. How Does it Feel
10. Freedom
11. All the Same
12. Join Together (The Who cover)

Chamar o The Dead Daisies de supergrupo não me soa muito justo. Fundado em 2012, pelas mãos do guitarrista David Lowy e do vocalista Jon Stevens (INXS), talvez o mais correto seja os chamar de um supercoletivo. Além de sua formação atual, que conta com John Corabi (vocal, ex-Mötley Crüe), Lowy (guitarra), Doug Aldrich (guitarra, ex-Dio, ex-Whitesnake, ex-Foreigner), Marco Mendoza (baixo, ex-Blue Murder, ex-John Sykes, ex-Ted Nugent, ex-Whitesnake) e Brian Tichy (bateria, ex-Billy Idol, ex-Foreigner, ex-Whitesnake, ex-Glenn Hughes, ex-Ozzy Osbourne), já passaram em algum momento pela banda músicos do calibre de Richard Fortus (Guns N' Roses), Darryl Jones (The Rolling Stones), Dizzy Reed (Guns N' Roses), Charley Drayton (The Cult), John Tempesta (The Cult), Frank Ferrer (Guns N' Roses), Alex Carapetis (Nine Inch Nails), Tommy Clufetos (Ozzy Osbourne, Black Sabbath), Damon Johnson (Alice Cooper, Thin Lizzy), dentre alguns outros.

Outro fato curioso e que vale a pena citar, é que o The Dead Daisies foi a primeira banda ocidental de Rock a tocar em Cuba, depois que Barack Obama reestabeleceu relações diplomáticas com a ilha. Através de um convite do Ministério da Cultura cubano, do Instituto Cubano de Música e da Agência Cubana de Rock, passaram uma semana no país, fizeram um show para 6 mil pessoas e gravaram um documentário, que foi lançado posteriormente. Além disso, Make Some Noise é seu 3º álbum completo de estúdio, além de já terem soltado mais 2 EP’s, 9 singles e estarem preparando seu primeiro trabalho ao vivo. Em suma, os caras são incansáveis.


Make Some Noise pode e deve ser definido de uma forma bem simples: uma celebração ao Rock and Roll. Apostando em um Hard Rock simples, que transita entre o Classic Rock, o Hard e o Sleaze, sem invenções e carregado de energia, acabaram forjando canções que são perfeitas para serem tocadas ao vivo, verdadeiras odes ao estilo. O trabalho vocal de Corabi é excelente e em alguns momentos, vai te remeter a Steven Tyler. Já Lowy e Aldrich se saem muito bem, despejando ótimos riffs e soando como uma mescla de AC/DC com Aerosmith. Certamente deixaram Angus Young e Joe Perry muito felizes. Já na parte rítmica, Marco Mendoza e Brian Tichy brilham com a categoria que lhes é esperada, em um trabalho bem sólido, pesado e diversificado.

Lembra da mescla de AC/DC com Aerosmith citada logo acima? Bem, ela fica evidente já na primeira música, “Long Way To Go”. Crua, enérgica, é um dos destaques aqui. As influências de Tyler & cia voltam a dar as caras em ótimas faixas, como “We All Fall Down” (com seu refrão grudento), “Mainline” (com um pé no punk), “Last Time I Saw the Sun” e “All the Same”. Nos covers para  “Fortunate Son”, do Creedence Clearwater Revival, e “Join Together”, do The Who, optaram corretamente por não inventar, colocando apenas mais peso nas canções. Ponto para eles. Mas o grande destaque aqui fica realmente com “Make Some Noise”, grudenta e moldada para ser tocada em grandes arenas, levantando todo o público. É difícil não se empolgar com a mesma.

Em tempos nos quais a música parece ficar cada vez mais complexa, com artistas buscando expandir cada vez os limites de seus trabalhos, é bom demais se deparar com um álbum como Make Some Noise. Talvez aqui esteja a prova cabal de que sim, o sentido do Rock está na simplicidade. Uma verdadeira celebração ao estilo.

NOTA: 9,0

The Dead Daisies é:
- John Corabi (vocal);
- David Lowy (guitarra);
- Doug Aldrich (guitarra);
- Marco Mendoza (baixo);
- Brian Tichy (bateria)

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Axel Rudi Pell - Game of Sins (2016)

 
Axel Rudi Pell - Game of Sins (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Lenta Fortuna (Intro)
02. Fire
03. Sons in the Night
04. Game of Sins
05. Falling Star
06. Lost in Love
07. The King of Fools
08. Till the World Says Goodbye
09. Breaking the Rules
10. Forever Free
11. All Along the Watchtower (Bob Dylan cover)

Existem alguns músicos que, apesar de absurdamente talentosos, recebem menos atenção do que deveriam por esses lados de cá. Axel Rudi Pell me parece um deles. Guitarrista e compositor de talento, o alemão consolidou sua carreira a partir de 1989, com alguns trabalhos simplesmente clássicos, como Nasty Reputation (91), Black Moon Pyramid (96), Magic (97), The Masquerade Ball (00) e mais recentemente, Circle of the Oath (12).

Game of Sins é nada mais, nada menos, do que seu 17º trabalho de estúdio e aqui, como de praxe, ele não inventa. O ouvinte encontrará aquela velha fórmula de canções um pouco mais longas, com raiz no Heavy Tradicional, e que trafegam com uma naturalidade impressionante entre o Power Metal e o Hard Rock. Além disso, temos os ótimos vocais de Johnny Gioeli, uma parte rítmica coesa e firme, com seu fiel escudeiro desde os tempos de Steeler, Volker Krawczak (baixo) e o experiente Bobby Rondinelli (bateria, com passagens por Black Sabbath, Warlock, Doro, Rainbow, Quiet Riot e Blue Öyster Cult) e complementando, os teclados sempre muito bem encaixados de Ferdy Doernberg.

Curiosamente, a maior virtude de Game of Sins, também acaba sendo seu calcanhar de aquiles. Por apostar em uma fórmula já mais que conhecida, muitas canções aqui presentes acabam por nos remeter a material de seu passado e as vezes, até mesmo a outras presentes no mesmo trabalho. Um exemplo são as semelhanças entre a faixa-título e “Till the World Says Goodbye”. Se por um lado, entrega aos seus fãs exatamente o que eles esperam, por outro o resultado soa um pouco repetitivo e burocrático. Me chamou a atenção também o fato de os solos estarem mais contidos, apesar de ainda possuírem uma qualidade inquestionável.


“Fire”, que verdadeiramente abre o trabalho, é uma típica faixa de abertura dos trabalhos de Axel. Bom peso, melodias que remetem ao Power Metal, além de riffs e refrão bem familiares. Já a faixa seguinte, “Sons in the Night”, tem aquele apelo mais Hard, com bons riffs e refrão grudento, daqueles que você já sai cantando na primeira audição. A faixa título tem uma pegada mais épica e soa bem diversificada, agradando muito. Mas é isso. O restante do álbum vai seguindo essa fórmula, o que depois de algum tempo, começa a soar um pouco cansativo. Claro, temos alguns momentos muito bons, como a pesada e poderosa “Falling Star”, a cativante e grudenta “The King of Fools” e a balada “Forever Free” (Axel tem o dom para as mesmas, isso é indiscutível), mas fica aquela sensação que faltou algo a mais. Vale dizer que a versão nacional vem com uma faixa bônus, “All Along the Watchtower”, cover de Bob Dylan que saiu apenas em edições limitadas na Europa, e que ficou bem legal.

A produção, como sempre feita por Axel, é de ótima qualidade. A mixagem ficou por conta do mestre Charlie Bauerfeind (Helloween, Blind Guardian, Angra, Hammerfall, Gamma Ray, Saxon, Rage) e a masterização, como ocorre desde Eternal Prisoner (92), foi realizada por Ulf Horbelt (Arch Enemy, Moonspell, Dark Tranquillity, Sodom, Paradise Lost, Krisiun). Já a bela capa, mais uma vez foi obra do ilustrador inglês Martin McKenna (vale a pena uma visita a seu site).

Ao final, Game of Sins é uma faca de dois gumes. Se por um lado, entrega exatamente o que seu público deseja, por outro acaba soando um pouco cansativo por repetir sempre a mesma fórmula. Quando a inspiração está em dia, isso pouco incomoda, mas como faltou a mesma em alguns momentos aqui, o trabalho perdeu um pouco de sua força. Admito, mesmo com tais falhas, que esse é um álbum que possui qualidade, pois apesar de tudo, consegue cativar o ouvinte com suas ótimas melodias e com o talento inquestionável de Axel Rudi Pell. No fundo, talvez o seu verdadeiro problema seja estar inserido em uma discografia que é praticamente impecável.

NOTA: 7,5

Axel Rudi Pell é:
- Johnny Gioeli (vocal);
- Axel Rudi Pell (guitarra);
- Volker Krawczak (baixo)
- Bobby Rondinelli (bateria)
- Ferdy Doernberg (teclado)

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Arkona – Vozrozhdenie (2004/2016)


Arkona – Vozrozhdenie (2004/2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Kolyada (Kolyada)
02. Maslenitsa (Maslenitsa)
03. K domu Svaroga (To the House of Svarog)
04. Chernye vorony (Black Ravens)
05. Vozrozhdenie (Revival)
06. Rus’ (Rus)
07. Brate slavyane (Brothers Slavs)
08. Solntsevorot (Solstice)
09. Pod mechami (Under the Swords)
10. Po zverinym tropam (On the Animals’ Paths)
11. Zalozhny (Pledged)
12. Zov predkov (Call of Ancestors)

O Arkona é sem dúvida alguma, um dos principais nomes do Pagan/Folk Metal da atualidade. Mesclando elementos de Pagan, Thrash, Black e até mesmo Metal Tradicional, além de, claro, elementos folclóricos da cultura eslava, se caracterizaram por fugir completamente daquele estilo “Folk Metal feliz” que boa parte das bandas emprega por ai. Sua música é mais sombria, escura. Além disso, conta com o diferencial da voz de Masha "Scream" Arkhipova, já que tanto seus vocais limpos quanto os urrados são excelentes.

Após lançar um álbum onde procuraram inovar um pouco seu som, o ambicioso Yav (14), o Arkona resolveu dar “um passo atrás” e se voltar ao passado, regravando seu debut, Vozrozhdenie. Normalmente não sou fã desse tipo de trabalho, já que muitas vezes tal opção advém de crises criativas, mas confesso que estava curioso para ouvir o resultado final. Me perguntava o que poderiam vir a acrescentar de novo, que justificasse tal regravação. E bem, depois de algumas audições, tal pergunta de certa forma continuou em aberto para mim.

Substancialmente falando, não tivemos grandes mudanças que realmente pudessem servir de motivação para a regravação de seu primeiro álbum. Claro que algumas alterações ocorreram aqui e ali, mas nada drástico. O grande e único avanço se deu realmente nos quesitos gravação e produção. Nesse sentido, o resultado final é muito positivo, já que o som do Arkona soa mais polido e equilibrado, com as guitarras soando mais limpas. Tudo é mais audível, o que permite observar melhor certas nuances da música praticada pelos russos. Mas como tudo tem dois lados, o grande charme que era justamente a crueza, a aspereza que o trabalho possuía em 2004, aquele clima mais bruto, se esvaiu em grande parte e não seria exagero afirmar que senti falta de um pouco mais de peso nessa nova versão.


Então isso significa que o trabalho é ruim? Mas de forma alguma. O que temos são representações da mesma banda em épocas diferentes, e as pequenas alterações que ocorrem aqui e ali, denotam o amadurecimento pelo qual passaram no período de 12 anos. Um exemplo é a faixa de abertura, “Kolyada”, que aqui soa mais autêntica e forte que a original, sendo um dos destaques do trabalho. Já  “K domu Svaroga” conta com mais elementos folclóricos e o desempenho de Masha como ponto alto. “Rus’” foi outra que passou por pequenas mudanças e tem como principal destaque, as ótimas melodias vocais. Se por um lado as guitarras mais limpas fizeram o trabalho perder aquele clima bruto já citado, por outro fez muito bem a “Solntsevorot”. No caso de  “Zalozhny”, os teclados perderam um pouco da proeminência, com as guitarras ocupando um papel de mais destaque, o que acabou fazendo muito bem à mesma.

Ao final, o que temos é um trabalho sólido, enérgico e maduro, com melodias folclóricas de altíssimo nível e que vai agradar em cheio não só os fãs da banda, como também os de Folk Metal em geral. E vale frisar que a versão nacional está saindo em um digipack lindíssimo, com um dos projetos gráficos mais bonitos que já vi por aqui. Mais um motivo que torna a aquisição do mesmo imperdível.

NOTA: 8,0

Arkona é:
- Masha “Scream” Arkhipova - (vocal, teclado, percussão, tamborim, komuz, violão, bateria xamânica)
- Sergey “Lazar” Atrashkevich - (guitarra, balalaika, komuz, yakut, harpa judia, backing vocal)
- Vladimir “Wolf” Reshetnikov – (flauta, gaita de fole, gaita, galega, flauta doce, backing vocal)
- Ruslan “Kniaz” – Baixo
- Andrey Ischenko – Bateria

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Freedom Call - Master of Light (2016)


Freedom Call - Master of Light (2016)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Metal Is for Everyone
02. Hammer of the Gods
03. A World Beyond
04. Masters of Light
05. Kings Rise and Fall
06. Cradle of Angels
07. Emerald Skies
08. Hail the Legend
09. Ghost Ballet
10. Rock the Nation
11. Riders in the Sky
12. High Up

Houve um momento na segunda metade dos anos 90, que toda banda que surgia parecia apostar no Power Metal Melódico. Impulsionado por grandes lançamentos de bandas como Stratovarius, Blind Guardian, Gamma Ray, Hammerfall, Rhapsody e Iced Earth, dentre outras, o estilo recuperou o brilho que tinha nos anos 80, quando surgiu e cresceu através de nomes seminais como Helloween, Running Wild, Grave Digger, na Europa, ou Savatage, Jag Panzer, Attacker e Manilla Road nos Estados Unidos.

Foi mais precisamente em 1998 que os amigos de velha data Chris Bay e Dan Zimmermann (Gamma Ray, que saiu da banda em 2010) resolveram unir forças em um projeto no qual voltariam a tocar juntos. Surgiu aí o Freedom Call. Vieram em seguida 3 dos melhores trabalhos desse período, os ótimos Stairway to Fairyland (99), Crystal Empire (01) e Eternity (02), que elevaram a banda alemã ao primeiro time do Power Metal Melódico. Após isso, veio um momento um tanto questionável, onde dentro de um estilo já saturado, procuraram novas saídas para sua música (mas sem fugir do Power), mas com resultados que dividiram os fãs. A partir de 2012, as coisas começaram a voltar aos trilhos, com a banda voltando às suas origens e lançando dois bons trabalhos, Land of the Crimson Dawn (12) e Beyond (14).

Acho que todos conhecem o ditado “não julguem um livro pela capa”, não é? Isso pode se aplicar a Master of Light, 9º trabalho de estúdio do Freedom Call. Ok, os caras sempre prezaram por passar mensagens mais positivas em suas letras, além do bom humor, mas sinceramente, acho que erraram a mão dessa vez. Não é dessas que empolga e te faz pensar que o material contido no CD não possui qualidade. Mas felizmente, depois que ele começa a rodar no som, essa impressão se desfaz por completo, graças à alta qualidade do que nos é apresentado.

Poderia dizer, sem exageros, que Master of Light é o trabalho que deveria ter sido lançado na sequência de Eternity, pois soa como sua continuação natural. Aqui temos todos aqueles elementos que sempre marcaram a carreira do grupo alemão, ou seja, músicas rápidas, mas sem exagerar na velocidade, peso (sem perder a acessibilidade), melodias “a dar com o pau”, ótimo trabalho vocal, bons riffs e solos, parte rítmica consistente, teclados e elementos sinfônicos utilizados de forma bem equilibrada, clima épico e grandioso e claro, aqueles refrões grudentos que nunca podem faltar, e que ficam por dias na sua cabeça. É ou não é tudo que um fã do Freedom Call espera de um álbum da banda?


Já de cara, temos a ótima “Metal Is for Everyone”, com melodias marcantes e refrão para cantar junto. Ok, a letra é clichê, palavras como metal, steel, law, strong, victory, dragons, kings, glory e power surgem por toda canção (sério, não tem um verso que não tenha no mínimo uma delas), mas e daí? As letras nunca foram o forte da banda mesmo e, acima de tudo, a canção diverte e empolga, e isso sim é importante. Já a faixa seguinte, “Hammer of the Gods”, não esconde a influência de Helloween (mais precisamente, I Want Out), soando bem enérgica, melódica e com aquele refrão fácil, extremamente fácil, para você, e eu e todo mundo cantar junto. Fechando com chave de outro a ótima sequência inicial, temos “A World Beyond”, com um clima épico, bons elementos sinfônicos e algumas mudanças de tempo, que a deixam ainda mais interessante.

Mas apesar do ponto alto do trabalho estar justamente em seu início, isso não significa que o restante do mesmo não possua grande qualidade. Justamente o contrário. A veloz “Riders in the Sky” soa como um Dragonforce que sabe o que está fazendo (e não só tocando rápido) e vai agradar em cheio aos fãs de Helloween e Gamma Ray, que também irão se empolgar com a ótima “Kings Rise and Fall”. “Emerald Skies” é aquele típico Power Metal europeu, com elementos sinfônicos sendo muito bem utilizados, enquanto as boas melodias de “High Up” remetem invariavelmente ao Stratovarius. Aqueles que gostam de um “baladinha”, certamente aprovarão “Cradle of Angels”.

Como nos dois álbuns anteriores, a produção ficou por conta de Chris Bay e Stephan Ernst, que também foi o responsável pela mixagem e masterização do trabalho. Talvez tenhamos aqui o melhor resultado já obtido em um álbum dos alemães. Retornando às suas raízes, o Freedom Call pode até não apresentar nada de novo e abusar daqueles clichês típicos do estilo, mas fazem isso com tanta competência que fica impossível não gostar do resultado final. Sem dúvida, Master of Light é daqueles álbuns altamente indicados para qualquer fã de Power Metal melódico que deseje viajar ao passado, aos tempos de glória do estilo.

NOTA: 8,5

Freedom Call é:
- Chris Bay (vocal/guitarra);
- Lars Rettkowitz (guitarra);
- Ilker Ersin (baixo);
- Ramy Ali (bateria).

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