terça-feira, 17 de outubro de 2017

Weakless Machine - Manipulation (2017)


Weakless Machine - Manipulation (2017)
(Independente - Nacional)


01. Manipulation
02. Get Ready
03. Tarred With the Same Brush
04. Burning All
05. Death Knocks On My Door
06. Kill
07. Pain
08. Tribal Wars
09. Unbroken

O Weakless Machine surgiu em Porto Alegre/RS, no ano de 2015, mas apesar do pouquíssimo tempo de estrada, resolveu não perder tempo e já partir para a gravação do seu debut. E olha, depois de escutar os cerca de 32 minutos de Manipulation, posso dizer sem medo que estamos diante de uma banda diferenciada, já que esse é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns nacionais que escutei neste ano.

A surpresa já começa quanto à sonoridade adotada pelo Weakless Machine. Ao contrário do que possamos imaginar, não investem em um Death ou Thrash Metal de pegada mais tradicional, como muitos bons nomes oriundos do Rio Grande do Sul. O quarteto, na época formado por Jonathan Carletti (vocal), Fernando Cezar (guitarra), Gustavo Razia (baixo) e Luke Santos (bateria) (que veio a sair da banda após a gravação, sendo posteriormente substituído por Renato Siqueira), aposta suas fichas em um Modern Metal que flerta em muitos momentos com o Thrash, o Groove e o Metalcore, e que soa absurdamente pesado e agressivo, além de possuir melodias verdadeiramente contagiantes.

Durante a audição de Manipulation, nomes como Machine Head, Trivium, Lamb of God, Slipknot, Metallica (pós-Black Album) e Killswitch Engage certamente virão à sua cabeça. Mas não pense que estamos falando de emulação, de cópia, pois a música do Weakless passa longe disso. Influenciado pelos nomes já citados, conseguem fazer uma música de muita personalidade e acima de tudo muito forte. Os vocais de Jonathan são ótimos, enquanto a guitarra de Fernando faz um trabalho primoroso, esbanjando ótimos riffs e melodias definitivamente grudentas. A parte rítmica de Gustavo e Luke transborda qualidade, peso, técnica e muita diversidade.

São 9 canções que vão direto ao ponto, sem espaço para enrolação e com alto potencial de destruir pescoços. “Manipulation” abre os trabalhos com muito de Groove, agressividade de sobra e ótimo desempenho da dupla Gustavo/Luke. O ótimo trabalho da guitarra, que despeja riffs furiosos, é um dos pontos altos da faixa seguinte, “Get Ready”, que além disso possui um refrão marcante. Já “Tarred With the Same Brush” se mostra avassaladora, esbanjando modernidade e brutalidade. Em alguns momentos, os vocais de Jonathan remetem aos de James Hetfield, o que não é pouca coisa. Mantendo a adrenalina alta, “Burning All” chega com ótimas melodias e muito peso. É dessas canções grudentas por natureza.


Localizada cirurgicamente no meio do álbum, certamente com a intenção de dar um refresco para o pescoço alheio, temos a ótima e introspectiva “Death Knocks On My Door”, mas logo em seguida a porradaria volta a imperar, com a bruta “Kill”, outra onde o Groove fala mais alto e a enérgica “Pain”. Já “Tribal Wars” se destaca não só pelos ótimos riffs, como pelo desempenho da parte rítmica, enquanto “Unbroken” encerra o álbum não só com melodias verdadeiramente grudentas, como também com um refrão marcante e diversidade de sobra.

Outro ponto alto aqui se dá com relação à parte técnica. A produção ficou a cargo de Renato Osório (Hibria), com mixagem e masterização feitas por Benhur Lima (ex-Hibria). O resultado final é excepcional, já que o som está claro, totalmente audível, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Uma das melhores produções nacionais que escutei neste ano. Embalado em um digipack caprichado, conta com capa e parte gráfica feitas por Tiago Masseti (Daydream XI), em um trabalho de altíssimo nível. Aqui temos a prova de que, mesmo com toda a crise que vive o país, é possível sim fazer um trabalho altamente profissional e que é capaz de colocar a banda em lugar de destaque.

Aqui temos não só a principal revelação nacional de 2017 até o momento, como também um dos melhores álbuns lançados por uma banda brasileira nesse ano. Se gosta de Modern Metal, esse é um trabalho que você precisa ter na sua coleção. Surpreendente e imperdível.

NOTA: 8,5

Weakless Machine (gravação):
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Luke Santos (bateria).

Weakless Machine é:
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Renato Siqueira (bateria).

Homepage
Facebook
Instagram
Twitter
YouTube
Soundcloud



Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)


Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)
(Las Brujas Records - Importado)


01. Night Hag
02. El Pacto

O cenário latino-americano de Heavy Metal é riquíssimo, com ótimas bandas por todos os cantos, mas por algum motivo boa parte dos bangers brasileiros o desconhece quase que totalmente. E olha, não sabem o que estão perdendo. Formado por músicos experientes dentro do cenário argentino, o Witchour já é conhecido de quem acompanha o A Música Continua a Mesma, pois apareceram por aqui com seu EP de estreia, The Haunting (15), onde apresentaram 4 músicas nas quais podíamos escutar um Death Metal Melódico bem técnico e com muita qualidade.

Agora, preparando-se para finalmente soltarem seu álbum de estreia, lançam o single Night Hag/El Pacto, a partir do qual podemos ter uma ideia clara do que nos espera. E bem, evolução é uma palavra que se encaixa bem aqui. O som não mudou, permanece aquele Death Metal Melódico moderno, calcado em nomes como In Flames e Soilwork, mas conseguiram dar aquele passo evolutivo que se espera de toda banda, já que se mostram mais maduros, coesos, agressivos e sim, mais melódicos.

Os vocais de Alejandro Souza (ex-Frater) se destacam pela diversidade, com ele se saindo bem tanto nos tons mais agressivos quanto nos limpos (esses surgem nos refrões). A dupla de guitarristas formada por Ezequiel Catalano e Federico Rodrigues (ambos ex-Climatic Terra) nos apresenta um trabalho verdadeiramente primoroso, com ótimos riffs e solos melodiosos. Por último, temos a parte rítmica, com o estreante baixista Marco Ignacio Toba (ex-Thabu) e o baterista Javier Cuello (Anomalia), que se mostra muito variada, pesada e técnica.


São apenas 2 músicas, mas que cumprem bem o papel de nos deixar na expectativa pelo debut do quinteto. “Night Hag” esbanja peso e agressividade, soando bem enérgica e contando com riffs ótimos, cortesia de Ezequiel e Federico. Já “El Pacto”, cantada em espanhol (e provando que se saem bem cantando em qualquer idioma), se mostra bem variada, com várias mudanças de andamento (com destaque principal para o desempenho da dupla Marco/Javier) e melodias realmente excepcionais.

Gravado no La Cueva de las Brujas, com produção de Ezequiel Catalano, o trabalho teve mixagem e masterização realizados por Nicolás Ghiglione no Pgm Studios. O resultado final foi ótimo, com tudo claro, audível, pesado e agressivo, não deixando nada a dever se comparado com produções de alguns nomes já consagrados no cenário. Já a bela arte da capa foi obra de Julian Ciceri e mostra todo o cuidado que possuem com sua música.

Mostrando solidez, energia, agressividade, peso e uma capacidade ímpar de moldar ótimas melodias, o Witchour se mostra mais do que pronto para alçar voos bem mais altos e quem sabe, conquistar um lugar de destaque no cenário do Death Metal Melódico mundial. E aos interessados,  Night Hag/El Pacto está disponível para download gratuito no Bandcamp da banda.

NOTA: 8,5

Witchour é:
- Alejandro Souza (vocal);
- Ezequiel Catalano (guitarra);
- Federico Rodriguez (guitarra);
- Marco Ignacio Toba (baixo);
- Javier Cuello (bateria).

Facebook
Bandcamp
YouTube

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Warfield Death - Sucumbindo ao Medo (2017)


Warfield Death - Sucumbindo ao Medo (2017)
(Independente - Nacional)


01. Brutal
02. Vingança Infernal
03. Sucumbindo ao Medo
04. Mãos Fechadas para Injustiça
05. Sangue Derramado
06. Mercadores da Morte
07. Uma Festa que Acaba em Funeral

A cena nordestina talvez seja a mais forte do Brasil na atualidade, com ótimas bandas surgindo o tempo todo. O Warfield Death não se trata de uma banda propriamente iniciante, já que surgiu em Aracaju/SE no ano de 2009, mas só neste ano conseguiram finalmente lançar seu tão almejado debut (também possuem uma demo, intitulada simplesmente Death (09)).

Musicalmente, o quarteto formado por Marcos P. Viking (vocal), Thiago Madness (guitarra), Eduardo Vysceral (baixo) e Carlos Morte (bateria) não inventa, apostando forte suas fichas naquele Death Metal com uma pegada mais Old School, e que remete ao final dos anos 80/início dos 90, principalmente a nomes como Six Feet Under, Cannibal Corpse e Obituary. Mostram boa técnica e privilegiam a cadência e o peso, ao invés da velocidade, por mais que momentos assim surjam aqui e ali em sua música.

Os vocais de Marcos são bem agressivos, trafegando entre o urrado e o gutural, soando muitas vezes ininteligíveis, apesar de todas as músicas serem cantadas em português. Já a guitarra faz um belo trabalho aqui, soando não só direta, mas também bem variada. É responsável não só por bons riffs, mas também por algumas boas melodias. Já a parte rítmica se destaca não só pela coesão e boa técnica (o trabalho de bateria é muito bom), mas também pela diversidade que imprime às canções do Warfield Death. Não apresentam nada de novo, é verdade, mas conseguem utilizar muito bem a fórmula que adotaram, sem soarem como simples emulação. 


São 7 músicas que vão direto ao ponto, sem enrolar o ouvinte. Canções como “Brutal” e “Mercadores da Morte” mostram boa técnica, enquanto a variação rítmica é o destaque nas ótimas “Vingança Infernal” e “Sucumbindo ao Medo” (muito intensa, por sinal). “Sangue Derramado” esbanja brutalidade e a guitarra, com seus bons riffs, se destaca tanto em “Mãos Fechadas para Injustiça” e “Uma Festa que Acaba em Funeral”.

Mas cabem aqui algumas pequenas ressalvas. A produção, mesmo que não comprometa, já que os instrumentos estão bem audíveis, exagerou um pouco na crueza. Nada em excesso, mas trabalhar um pouco mais a produção vai ajudar a obterem um maior destaque. O outro “puxão de orelha” se dá devido ao trabalho gráfico aqui apresentado, que prima pela total e completa falta de informações. Não tem letras (apesar de serem em português), não tem os nomes dos músicos ou qualquer informação técnica. Pode parecer bobagem, mas em um mercado acirrado como o atual, esses detalhes contam demais. No fim, uma boa estreia de uma banda muito promissora.

NOTA: 7,5

Warfield Death é:
- Marcos P. Viking (vocal);
- Thiago Madness (guitarra);
- Eduardo Vysceral (baixo);
- Carlos Morte (bateria).

Facebook
Bandcamp
Instagram
YouTube


domingo, 8 de outubro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

SKoR - Some Kind of Redemption (2017)
(Independente – Nacional)
 

Oriundo de Campinas/SP, o SKoR é um duo formado por Camila Ferreira (vocal) e Fernando Allgauer (guitarra), surgido em 2012 e que chega agora ao seu EP de estreia. Com letras bem fortes e densas, aposta em uma mescla muito legal de Gothic com Rock e Metal, que muitas vezes pode acabar por remeter o ouvinte aos americanos do Evanescence, por mais que sejam muito mais do que isso. Vale destacar também a belíssima voz de Camila, que se mostra diferenciada. Que venha um trabalho completo, pois já se mostram mais do que prontos para tal. (8,0)

Facebook
YouTube
________________________________________

BlackForce - Slaves to Reality (2016)
(Independente – Nacional)


Surgido no ano de 2014 em Niterói/RJ, o BlackForce é mais um nome do nosso cenário a apostar no Thrash/Death. Essa mescla, apesar de não ser novidade alguma, acaba por gerar uma música muito bem-feita e interessante. Ok, temos alguns momentos um tanto genéricos aqui e ali, mas convenhamos, isso é mais do que normal para uma banda que está dando seus primeiros passos. O que importa é que na maior parte do tempo temos vocais guturais de qualidade, riffs velozes, algumas boas melodias e uma parte rítmica competente. O BlackForce tem tudo para agradar aos fãs de formações como Slayer, Exodus e Megadeth, o que não é pouca coisa. Uma boa estreia de uma banda que promete bastante para o futuro. (7,5)

Facebook
Bandcamp
Soundcloud
YouTube
_______________________________________

Katamarock - HAG (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido no ano de 2015, o Power trio paulistano apresenta em seu EP de estreia uma música bem variada e com boas letras em português. Se na primeira faixa do trabalho mostram uma veia mais Rock, na seguinte deixam escancarada toda a influência de Black Sabbath. Já o encerramento se dá com uma faixa carregada de groove. Se essa falta de um direcionamento maior pode vir a incomodar alguns, é justamente essa diversidade que pode agradar em cheio ao fã de Rock em geral. Se gosta de música pesada bem-feita, vale a pena conhecer. (7,0)

Facebook
Twitter
Bandcamp
________________________________________
 
Red Mess - Into the Mess (2017)
(Abraxas Records – Nacional)
 

Após dois bons EP’s, Crimson (14) e Drowning In Red (15), o trio londrinense finalmente chega ao seu álbum completo. E o que temos aqui é uma verdadeira ode à “música chapada”, com uma ótima mescla de Stoner e Progressivo, que rende momentos muito legais. Soando mais pesado e maduro que em seus trabalhos anteriores, o grupo paranaense apresenta riffs fortes e que são capazes de tornar o ouvinte escravo de sua música. Além disso, esbanjam energia e mostram que é possível sim, mostrar muita técnica sem soar pedante ou enjoativo. Uma ótima indicação para os fãs do estilo. (8,5)

Facebook
Bandcamp
YouTube
________________________________________

The Lotus Throne - Occvlt (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido apenas nesse ano, através das mãos de Juan Sotelo, o The Lotus Throne é uma One Man Band carioca que optou por se enveredar pelos sinuosos caminhos do Progressive Death Metal. E olha, meu amigo, o resultado aqui é muito bom, já que Juan (com o apoio de Diogo Macedo, que gravou a bateria) se saiu muito bem na difícil tarefa de mesclar o peso e a agressividade do Death, com as boas melodias e as partes complexas e intrincadas oriundas do Progressivo. Sem dúvida, uma das revelações nacionais de 2017. (8,0)

Facebook
Bandcamp
YouTube
________________________________________

Worsis - Blinded By The System (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido na cidade de Ipê/RS, no ano de 2014, com o nome de Kairos, o grupo gaúcho alterou seu nome para Worsis durante o processo de gravação do seu debut, após mudanças na sua formação. E como toda boa banda vinda do Rio Grande do Sul, os caras não aliviam, apresentando um Thrash Metal forte, com vocais agressivos, riffs marcantes e afiadíssimos, além de uma parte rítmica coesa, técnica e bem diversificada. A maturidade apresentada aqui realmente impressiona, ainda mais quando você se dá conta que esse é apenas o seu trabalho de estreia. Eis mais uma grande revelação do Sul, com potencial para logo estar entre os grandes do |Metal nacional. (8,5)

Homepage
Facebook
YouTube
________________________________________

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sodoma - Mutapestaminação (2016)


Sodoma - Mutapestaminação (2016)
(Altera Pars Records - Nacional)


01. Audiatur et Altera Pars
02. Pesthereticanonica
03. 7Strega
04. Mutapestaminação
05. Libertinos
06. Devora-te
07. Ramaerata
08. Destrói Dei Verbum
09. Viperovz Papisa

A riqueza do cenário nacional é algo indiscutível. Por mais que muitos se recusem a enxergar, a verdade é que aqui temos bandas tão boas quanto qualquer uma que venha do exterior. E olha que, por toda a situação econômica e pela falta de valorização do estilo no Brasil, a luta para se manter uma banda é muito mais árdua por aqui do que na Europa ou América do Norte. O paraibano Sodoma é um exemplo disso. Surgido em 2003, soltou duas demos, Sadomazocristo (05) e Renascida em Trevas (08), só chegando ao seu debut em 2011, com o muito bom Sempiterno Agressor, onde em 10 temas, desfilava o seu furioso Blackened Death Metal.

Então, após um hiato de 5 anos, o Sodoma nos apresentou Mutapestaminação, onde mostram que o tempo decorrido entre um álbum e outro só lhes fez bem. Não entendam mal, como eu mesmo já disse acima, seu debut é um trabalho muito bom, mas a evolução apresentada entre um e outro é algo realmente incrível. E o melhor, sem perder quaisquer das características da banda. Sua música continua bruta, agressiva (diria que até mais que na estreia) e blasfema, mas soando ainda mais técnica, bem-arranjada e acabada, enquanto boas melodias surgem em meio a riffs afiadíssimos.

A forma como conseguem equilibrar bem os elementos de Death e Black em sua música lembra os melhores momentos de nomes como Behemoth, Belphegor, Azarath, Angel Corpse e afins, além de gerar uma música que consegue soar ao mesmo tempo infernal e soturna. Na maior parte do tempo, a velocidade predomina sobre as passagens mais cadenciadas (que, quando surgem, são muito bem encaixadas), com um belo trabalho de guitarra da dupla Samidarish e Seth. Os vocais de Hate Devoro estão doentios, enquanto seu baixo faz uma bela dupla com a bateria de Dagon. Por sinal, em diversos momentos, a parte rítmica assume o protagonismo das canções.


Descontando a breve introdução, temos aqui 8 verdadeiros hinos de mais puro louvor à luxúria e à blasfêmia, todos cantados em nossa língua pátria. Os principais destaques ficam por conta de “Pesthereticanonica”, veloz, diversificada e brutal, com um belo trabalho das guitarras, a insana “7Strega”, a infernal “Mutapestaminação”, onde Hate Devor e Dagon mostram muita técnica em seus instrumentos, a doentia e sombria “Ramaerata”, outra onde as guitarras se destacam, e o encerramento com a insana e feroz “Viperovz Papisa”.

Gravado em 3 estúdios diferentes, SG Studio Digital, 1404 Studios e Estúdio Peixe-boi, todos em João Pessoa/PB, Mutapestaminação teve produção, mixagem e masterização realizadas por Victor Hugo Targino (Soturnus, Conclave, Metacrose, Cangaço, Necrohunter), com um bom resultado, já que manteve a clareza, o peso e a agressividade, mas com a dose de crueza necessária para o Death/Black dos paraibanos. Já a capa é obra de Rafael Tavares (Blood Red Throne, Ocultan, Chaos Synopsis, Torture Squad, Queiron) e reflete com perfeição o conteúdo lírico blasfemo do Sodoma.

Provando que evoluir e amadurecer não significa perder suas características, o Sodoma dá um passo à frente e se coloca na ponta de lança do cenário Death/Black brasileiro. Uma verdadeira hecatombe em forma de música!

NOTA: 8,0

Sodoma é:
- Hate Devoro (vocal/baixo);
- Samidarish (guitarra);
- Seth (guitarra);
- Dagon (bateria).

Facebook
Soundcloud
YouTube


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Evil Sense - Fight for Freedom (2017)


Evil Sense - Fight for Freedom (2017)
(Erinnys Productions - Nacional)


01. No More Lies
02. Embrace of Death
03. Império Headbanger - O Ritual Metal
04. Traveling by Warriors Land
05. Force and Honor
06. Unit 731
07. Thrash Anger
08. Fight for Freedom
09. Evil Sense

A vida de uma banda de Heavy Metal no Brasil nunca será fácil, e a trajetória do Evil Sense mostra bem isso. Surgido em 2000, lutaram para estabilizar uma formação, gravaram 3 demos, Horseman of Apocalypse (02), Coma of Your Brain (06) e In Thrash We Trust, e finalmente, 17 anos depois de sua formação, finalmente conseguiram chegar ao seu debut, Fight for Freedom. Uma caminhada dura, árdua, mas que finalmente foi recompensada.

Musicalmente não apresentam qualquer novidade ou inovação. Sua aposta é cravar de forma bem firme seus pés nos anos 80, apresentando um Thrash/Speed que recebe boas influências de Metal Tradicional. Todos os clichês do período se fazem presentes aqui. Aí você certamente vai se perguntar: isso é ruim? Olha, de forma alguma, pois tudo é uma questão de como você vai utilizá-los, e no caso do Evil Sense, fazem isso de forma muito competente e sem procurar emular algum nome em específico.

Aqui temos uma música enérgica, crua e ríspida, com vocais bem agressivos, riffs cortantes, bons solos e uma parte rítmica que mostra boa técnica, se destacando em diversos momentos do CD. São 9 canções que vão direto ao ponto, sem qualquer enrolação, com destaque para  a agressiva “No More Lies”, que abre o trabalho, “Embrace of Death”, com riffs muito bons, a instrumental “Traveling by Warriors Land”, com influência de Metal Tradicional (lembra daquelas instrumentais dos primeiros álbuns do Maiden?) e um trabalho tão bom das guitarras que você nem sente a falta de um vocal, “Force and Honor”, outra com sonoridade mais Heavy, bom peso e ótimos riffs em seus mais de 8 minutos, “Thrash Anger”, que faz jus ao nome, carregada de energia e totalmente raivosa, e “Evil Sense”, que encerra o álbum e possui um trabalho muito bom da dupla de guitarristas.


Gravado e mixado no KW Home Estúdio/SP, com produção de Alexdog (Tenebrario) e da própria banda, o resultado, apesar de soar um pouco cru demais, não chega a comprometer, ainda mais se tratando de um debut. Algo um pouco mais bem trabalhado vai deixar a coisa ainda melhor aqui. O importante é que, acima de tudo, todos os instrumentos estão bem claros e pesados, além de bem timbrados. Até aqui o clima oitentista prevalece.

No final, temos em mãos um bom trabalho de estreia, indicado aos bangers mais saudosistas, e que mostra uma banda que, com pequenos ajustes aqui e ali (um pouco mais de identidade e uma produção levemente mais bem trabalhada), tem tudo para estar entre as principais do estilo no país. Altamente indicado para fãs de bandas como Slayer, Exciter, Artillery e afins.

NOTA: 8,0

Evil Sense é:
- Wagner “Capu” (vocal/guitarra);
- Thiago “Suco” (guitarra);
- Hugo (baixo);
- Ricardo (bateria).

Facebook
YouTube


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Affront - Angry Voices (2016)


Affront - Angry Voices (2016)
(Cianeto Discos - Nacional)


01. Scum of the World
02. Angry Voices
03. Affront
04. Conflicts
05. Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)
06. Mestre do Barro
07. Religions Cancer
08. Under Siege
09. Carved in Stone
10. WarTime Conspiracy
11. Echoes of the Insanity
12. Under Siege (Participação especial: Marcelo Pompeu)

Devido ao sério problema de saúde pelo qual passou o vocalista Felipe Eregion, o Unearthly acabou por fazer uma pausa na carreira. Com isso, o baixista M. Mictian (que aqui também assume os vocais) e o guitarrista Rafael Rassan resolveram, ao lado do baterista Jedy Nahay (hoje a vaga é ocupada por Thiago Caneda, do Forkill), iniciar uma nova empreitada, que recebeu o nome de Affront. E sem perder tempo, no final de dezembro do ano passado já foram tratando de soltar o seu debut, Angry Voices.

Meus amigos, pensem em um álbum ignorante. Aqui você se depara com um Thrash/Death estupidamente rápido, agressivo e violento, que não tem nenhuma clemência com os pescoços alheios, mas que foge daquele clichê de apostar em uma sonoridade Old School, já que investe mais em andamentos quebrados e passagens mais intrincadas. Esse é um dos diferenciais do Affront. São 12 músicas que possuem altíssimo poder de destruição, com vocais rasgados, guitarras velozes e que despejam alguns riffs simplesmente brutais e uma bateria totalmente fora de controle (no bom sentido).

Um outro diferencial com relação ao trio é que eles não têm medo de experimentar. Vide, por exemplo, os elementos de música regional incorporados em algumas canções, o que acaba por enriquecer demais o resultado final de Angry Voices. E vale dizer também que, apesar da brutalidade e velocidade impostas aqui na maior parte do tempo, sua música mostra diversidade e ótimas melodias. A forma coesa e madura como conseguem equilibrar todos os elementos presentes em sua música é algo que definitivamente impressiona.

O álbum já abre de forma violenta, com “Scum of the World”, que se destaca pela agressividade e pelo belo trabalho da parte rítmica. “Angry Voices” vem na sequência, alternando algumas passagens um pouco mais cadenciadas com momentos velozes, além de esbanjar peso, sendo seguida por “Affront”, ríspida e com uma bateria avassaladora, e por “Conflicts”, outra que mescla cadência e velocidade, além de contar com boas melodias de guitarra. Temos então um momento de refresco para o pescoço, com a instrumental “Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)”, com belos elementos acústicos que acabam por torná-la o momento mais sombrio do álbum.


“Mestre do Barro” é uma homenagem ao artesão nordestino Vitalino Pereira dos Santos, também conhecido como Mestre Vitalino (1909-1963), respeitado em todo o mundo por sua arte feita com barro (possui obras expostas no Louvre, em Paris, dentre outros museus no Brasil e mundo afora). Aqui, temos elementos regionais muitíssimos bem encaixados, mesclados à agressividade e ao peso do Thrash/Death. “Religions Cancer” soa um pouco mais tradicional e mantém os níveis de violência e agressividade bem altos, enquanto “Under Siege” se destaca principalmente pelo bom trabalho de guitarra. “Carved in Stone” tem uma levada mais arrastada e boas melodias e “WarTime Conspiracy” vai na direção contrária, esbanjando velocidade e agressividade. Finalizando, a bela instrumental “Echoes of the Insanity” surge em toda a sua melancolia e com toques de violão flamenco. De bônus, ainda temos uma versão de “Under Siege” com participação para lá de especial de Marcelo Pompeu, do Korzus, que deixou a canção ainda melhor.

Gravado no Musicalico Studio, com produção de Rassan e Mictian, e com mixagem e masterização realizados por Daniel Escobar, o resultado final é muito bom, já que deixou tudo claro e audível, mas sem abrir mão da agressividade e de certa dose de sujeira. A arte da capa é mais um belo trabalho do renomado Marcelo Vasco, com concepção e layout feitos por Mictian. Ao final, temos um álbum equilibrado, bruto e violento, que faz jus à carreira dos músicos aqui envolvidos, além de nos deixar ansiosos pelos trabalhos vindouros do Affront. Mas já fique avisado, prepare o relaxante muscular e o telefone do ortopedista, pois as chances de ficar sem pescoço aqui são grandes.

NOTA: 8,5

Affront (gravação):
- M. Mictian (vocal/baixo);
- Rafael Rassan (guitarra);
- Jedy Najay (bateria).

Affront é:
- M. Mictian (vocal/baixo);
- Rafael Rassan (guitarra);
- Thiago Caneda (bateria).

Facebook
YouTube