quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Vader - The Empire (2016)


Vader - The Empire (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Angels Of Steel
02. Tempest
03. Prayer To The God Of War
04. Iron Reign
05. No Gravity
06. Genocidius
07. The Army-Geddon
08. Feel My Pain
09. Parabellum
10. Send Me Back To Hell
Bônus (Ep Iron Times)
11. Parabellum
12. Prayer To The God Of War
13. Piesc I Stal (Panzer X cover)
14. Overkill (Motörhead cover)

O Vader é dessas raras bandas que não precisa inovar a cada trabalho. Álbum após álbum, apresentam seu Death/Thrash rápido, furioso e brutal, que tanto faz a alegria de seus fãs e do qual você não enjoa de forma alguma. Mal comparando, é tipo um Motörhead do Death Metal. Vindo de dois trabalhos simplesmente fabulosos, Welcome to the Morbid Reich (11) e Tibi et Igni (14), a tarefa de The Empire, 13º álbum de estudio dos poloneses (se contarmos Future of the Past I e II, exclusivamente de covers) não era das mais fáceis. Mas bem, estamos falando do Vader.

Vale chamar a atenção também para a surpreendente estabilidade na formação da banda. Piotr "Peter" Wiwczarek (vocal/guitarra), Spider (guitarra), Hal (baixo) e James Stewart (bateria) estão juntos desde 2011 e pela primeira vez, desde The Beast (04)/Impressions in Blood (06), repetem a mesma formação em estúdio de um álbum para o outro (em 2004 o saudoso Krzysztof "Doc" Raczkowski ainda era o baterista da banda, mas foi substituído em estúdio por Daray, que acabou se tornando membro do Vader após o falecimento de Doc no ano seguinte). Todo esse tempo tocando juntos, serviu para deixar o quarteto ainda mais entrosado e coeso e isso se reflete muito bem nas músicas aqui presentes.

Canções rápidas e diretas, em pouco mais de 33 minutos de duração. É isso que encontramos aqui. Se comparado com Tibi et Igni, The Empire é um álbum um pouco menos técnico, remetendo mais ao material lançado pela banda em meados dos anos 2000, mas de forma alguma isso afeta sua qualidade. Os vocais de Peter continuam infernais como sempre e sua parceria com Spider funciona muito bem, já que além de riffs viscerais, também temos alguns dos solos mais ferozes já escutados em um álbum do Vader. Hal e James formam uma parte rítmica matadora, agressiva e bastante técnica.


A sequência inicial é avassaladora, com a destruidora e veloz “Angels Of Steel”, a thrasher  “Tempest”, com algumas passagens mid tempo e a brutal e raivosa  “Prayer To The God Of War”, que já havia saído em agosto, no EP Iron Times e tem nítida influência das bandas da Bay Area. Sim, prezados leitores, o lado Thrash Metal do Vader está muito em evidência em The Empire. O massacre continua com a mais cadenciada “Iron Reign”, que chega para dar um “alívio” aos ouvidos, para logo em seguida entrar a selvagem “No Gravity”. Com blast beats simplesmente animais, “Genocidius” chega quebrando tudo e ainda tem uma pequena homenagem que se você prestar atenção na introdução e na letra, sacará fácil para quem é. “The Army-Geddon” é a faixa diferentona do álbum, já que pende para o Death Metal mais moderno e remete muito mais a um Decapitated, com seus riffs quebrados, do que ao som mais old school que estamos acostumados. Na sequência final, temos a brutal “Feel My Pain”, onde a parte rítmica brilha, a já conhecida  “Parabellum” e “Send Me Back To Hell”, mais cadenciada e que emana um ar sinistro do começo ao fim. A versão nacional conta com o EP Iron Times de bônus, com destaques para as versões de Piesc I Stal (Panzer X, outra banda de Peter) e Overkill (Motörhead).

A produção, mixagem e masterização ficaram mais uma vez por conta do irmãos Wojtek e Slawek Wieslawski. Temos aqui o melhor resultado já obtido em um trabalho do Vader. Conseguiram deixar tudo limpo e claro, mas sem perder o peso e a agressividade. A capa, assim como do seu antecessor, foi feita pelo mestre Joe Petagno, onde podemos dizer que temos a versão dos poloneses do “Trono de Ferro”.

Mais uma vez o Vader vai direto ao ponto, com um trabalho que é um verdadeiro massacre sonoro. Deixando sua veia Thrash um pouco mais evidente, conseguiram lançar um trabalho muito bem equilibrado, que não soa cansativo em momento algum e que te obriga a deixar o aparelho no modo repeat por um bom tempo. E se prepare para ficar com o pescoço muito dolorido, pois bater cabeça aqui vai ser obrigatório.

NOTA: 9,0

Vader é:
- Piotr "Peter" Wiwczarek (vocal/guitarra);
- Spider (guitarra);
- Hal (baixo);
- James Stewart (bateria).

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Dee Snider – We Are The Ones (2016)

Dee Snider – We Are The Ones (2016)
(Shinigami Records/earMUSIC – Nacional)


01. We Are The Ones
02. Over Again
03. Close To You
04. Rule The World
05. We’re Not Gonna Take It
06. Crazy For Nothing
07. Believe
08. Head Like A Hole
09. Superhero
10. So What

Quando um músico consagrado vai lançar um trabalho solo, você já espera algo de muita qualidade, que honre seu legado. No caso de Dee Snider, já imagina uma música que trafegue entre o Hard e o Heavy, com aquela veia oitentista que consagrou sua carreira com o Twisted Sister. É o normal e o esperado. Mas lembrem-se, estamos falando de um músico de personalidade forte. Ok, seu primeiro trabalho solo, Never Let the Bastards Wear You Down (00), era um álbum forte e composto por canções nunca utilizadas pelo TS, mas seu trabalho seguinte, Dee Does Broadway (12), era exatamente o que o título diz, ou seja, composto por canções de musicais da Broadway.

Entendo perfeitamente aqueles que não gostaram de We Are The Ones. Realmente, não deve ser nada fácil esperar um álbum de Hard/Heavy clássico e se deparar com um trabalho que trafega pelo Rock Alternativo dos anos 90/00 e as vezes até mesmo chega a ser descaradamente Pop. Dee Snider tentou fugir do óbvio e fazer algo mais “contemporâneo”, com isso já ficando claro desde o início, com a escolha do produtor (e que coescreveu boa parte das canções aqui presentes), o premiado Damon Ranger, que trabalhou com artistas como Kanye West, Smashing Pumpkins, Smoking Popes, Rhymefest, dentre outros. Ou seja, ele estava bem decidido sobre que rumo dar à sua música aqui.

A ideia básica, como ele mesmo disse em entrevistas que antecederam o lançamento, era abandonar o passado e seguir em frente com sua música, levando-a para novas gerações. E bem, é a partir dessa premissa que We Are The Ones deve ser analisado. Sim, em um primeiro momento é difícil se libertar das amarras e pensar fora da caixa, se desprender do passado de Dee. Eu mesmo precisei de um tempo considerável de audição para tal coisa, mesmo já tendo uma ideia do que encontraria, imagine então um fã die hard de Twisted Sister. Esse provavelmente não terá tal paciência. 


Vamos começar pelas melhores. “We’re Not Gonna Take It” é uma bela versão acústica do clássico do TS, contando apenas com a voz de Dee e um piano. Outro cover presente aqui é o para “Head Like A Hole”, do Nine Inch Nails, que ficou surpreendentemente legal. Outra muito boa é a altamente emocional e acústica “So What”, que encerra muito bem os trabalhos. Essas três canções fazem juz ao talento de Snider e nem mesmo o fã mais radical pode reclamar. Tá, talvez reclame do cover do NIN, mas isso não tira a qualidade do mesmo. Passado isso, vamos à parte polêmica.

Boa parte de We Are The Ones poderia estar em qualquer álbum de Rock Alternativo da segunda metade dos anos 90 ou dos anos 2000. Canções como “Over Again” (cáustica e com bom refrão) e “Crazy For Nothing” (com uma pegada pop e refrão que pega fácil) poderiam estar sem exagero algum em um álbum do Foo Fighters. Nelas, a voz de Dee chega a soar como a de Dave Grohl em alguns momentos, só que obviamente mais dinâmica. Já “We Are The Ones” (enérgica), “Close To You” (um tanto datada), “Rule The World” (bem melodiosa) e “Believe” (beeeem pop) teriam espaço no repertório de bandas como Smashing Pumpkins, Thirty Seconds To Mars, Panic! at the Disco, Fall Out Boy ou Blink 182. “Superhero” é a única indefensável. Aqui Snider mergulha de cabeça no pop de uma forma que torna a canção constrangedora. Na boa, consigo imaginar a Kate Perry cantando a mesma.

No final, existem duas formas de se avaliar We Are The Ones. Do ponto de vista do que a maioria espera de um trabalho de Dee Snider, fica difícil defender a álbum. Como ele mesmo falou em uma entrevista para a Billboard em agosto de 2016, “a maioria dos meus fãs de Heavy Metal vai odiá-lo”. E bem, provavelmente está certíssimo em sua fala. Mas a questão é que esse não é um álbum feito para atingir o fã de Metal. Essa nunca foi a intenção. Dentro dessa proposta de fazer um som mais contemporâneo e atingir uma nova parcela do público, We Are The Ones é sim um bom trabalho. Claro, não dá pra negar que é inconstante em alguns momentos, mas na maior parte do tempo o talento de Dee fala mais alto. A questão aqui é: você consegue pensar fora da caixa?

Nota: 7,0

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Misconducters – Circadian (2016)


Misconducters – Circadian (2016)
(MS Metal Records – Nacional)


01. Invasion
02. Reset
03. Wasting Away
04. Misconducter
05. Circadian
06. New Line
07. Power Driven
08. Bad Slave

Para quem ainda não conhece o Misconducters, a banda foi originalmente formada em Londres no ano de 2008, pelas mãos de Den, vocalista e guitarrista, que lá residia na época. De lá para cá, já foram lançados 4 EP’s, You’re Asking For It… (08), Braindead (09), New Blood (10), Reset (12) e, antes de Circadian, 3 Cd’,s, It’s All Yours (10), Hypnopaedia (14) e Boundless (15) (resenha aqui).

Em seu 4º álbum de estúdio, continuam mantendo aquela mesma pegada característica de seus trabalhos anteriores, ou seja, uma mescla bem interessante de Metal Tradicional, Punk e Hardcore, que em alguns momentos faz com que remetam vagamente ao Motörhead, pelo fato de sua música ser bem direta. Ainda assim, sua sonoridade possui uma cara muito própria e característica. Chama a atenção o fato de, nesse intervalo de 1 ano entre Boundless e Circadian, seu som ter amadurecido mais um pouco, já que as faixas aqui soam um pouco mais variadas e mais bem trabalhadas, mas de forma alguma a banda perdeu sua essência. A mudança não foi drástica, apenas ocorreram pequenos ajustes aqui e ali que elevaram um pouco mais a qualidade do material.


Os vocais de Den pendem para um lado mais Hardcore, dando uma dose considerável de agressividade à música do Misconducters. A parte instrumental, como dito, está mais bem trabalhada e claro, carregada de energia e agressividade, com todos mostrando boa técnica. “Invasion”, faixa que abre o trabalho, mostra algumas reminiscências de Black Sabbath nas guitarras, além de soar bem forte. “Reset” mescla muito bem Hard e Punk e tem boa pegada. Já a faixa título se mostra bem variada, enérgica, sendo na minha opinião a melhor de todo o trabalho. Outra que vale destacar é “Bad Slave”, a mais curta de todo álbum e que vai direto ao ponto, sem enrolação.

Gravado no Lumen Studio (São Paulo), por Caio Schmid e Armani Abarno, Circadian teve produção da própria banda, com masterização e mixagem realizadas por Caio. O resultado final é muito positivo, já que a música soa clara, com todos os instrumentos audíveis, mas sem perder a crueza necessária para a proposta do Misconducters. Já a capa e o layout foram obra do próprio Den, com bons resultados. Um álbum altamente indicado para os que apreciam música pesada, enérgica, agressiva e direta, mas que não deixa de ser bem trabalhada e ter boa técnica.

NOTA: 8,0

Misconducters (gravação):
- Den (vocal/guitarra);
- Brisa (baixo);
- Vitão (bateria).

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sonata Arctica – The Ninth Hour (2016)


Sonata Arctica – The Ninth Hour (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Closer to an Animal
02. Life
03. Fairytale
04. We Are What We Are
05. Till Death’s Done Us Apart
06. Among the Shooting Stars
07. Rise a Night
08. Fly, Navigate, Communicate
09. Candle Lawns
10. White Pearl, Black Oceans (Part II: By the Grace of the Ocean)
11. On the Faultline (Closure to an Animal)
12. Run to You (Bryan Adams cover)

E lá se vão quase 2 décadas desde que o Sonata Arctica lançou seu elogiado debut, Ecliptica (99), praticando um Power Metal calcado no Stratovarius e que empolgou muito os fãs do estilo. Após isso, mais 3 álbuns, Silence (01), Winterheart's Guild (03) e Reckoning Night (04), e o nome dos finlandeses estava definitivamente consolidado entre os principais do estilo. Nada parecia poder abalar o caminho rumo ao topo, até que em 2007 surge Unia.

Não, Unia não é um álbum ruim, ao contrário, mas marcou uma virada na carreira do Sonata Arctica. Ali deixaram de ser uma simples cópia do Stratovarius e iniciaram a busca por uma sonoridade própria. Colocaram o pé no freio, adicionaram influências Prog em seu som e seguiram em frente, mesmo com os fãs mais die hard reclamando. Ok, os álbuns seguintes foram um tanto inconstantes, mas com Pariah's Child (14) (resenha aqui), encontraram o equilíbrio necessário para sua música.

De certa forma, The Ninth Hour é uma continuação natural do que ouvimos no trabalho anterior, já que conseguem equilibrar de forma razoável as duas fases da banda, por mais que pendam um pouco mais para o Prog/Power Sinfônico que tem se tornado a cara da banda. Ainda assim, é um álbum um pouco mais difícil que o anterior e, ao menos para mim, necessitou de umas audições adicionais. Os fãs daquele Sonata old school podem ir direto a “Fairytale”, “Till Death’s Done Us Apart” e “Rise a Night”. São as que caem para o lado do Power Metal puro e simples, velozes, com bateria rápida, riffs melódicos e refrões marcantes. Também podem arriscar a épica e rica “White Pearl, Black Oceans (Part II: By the Grace of the Ocean)”, com seus mais de 10 minutos e que continua a história de “White Pearl, Black Oceans”, faixa presente em Reckoning Night.


Já os fãs da fase pós-Unia, certamente gostarão de músicas como “Closer to an Animal”, com boa dose de Prog, uso farto dos teclados (elemento central de boa parte das canções) e riffs melodiosos, “Life”, com uma certa dose de exagero, refrão daqueles que vicia e boas melodias e a boa “Fly, Navigate, Communicate”, que consegue transitar com naturalidade entre as duas fases da banda. Completam ainda o trabalho, a emocional e lenta “We Are What We Are”, as introspectivas baladas “Among the Shooting Star” e “Candle Lawns” (compostas na época de Stones Grow Her Name (12)) e “On the Faultline (Closure to an Animal)”, uma releitura alternativa da faixa de abertura, que sinceramente, julguei um tanto desnecessária. A versão nacional ainda tem um cover nem tão inusitado assim (se você lembrar que Tony Kakko toca no Northern Kings) para “Run to You”, do cantor pop canadense Bryan Adams.

Com ótimas melodias, algumas um pouco mais fortes e outras bem emotivas, arranjos vocais de bastante qualidade e uma boa utilização de elementos sinfônicos, o Sonata Arctica conseguiu lançar um trabalho equilibrado e com qualidade. Ok, falta um pouco de energia em um ou outro momento e achei Kakko um pouco contido em passagens onde poderia soltar mais a voz, mas isso em nada compromete o resultado final. Os fãs da primeira fase continuarão chiando, os atuais podem estranhar uma ou outra passagem, mas dando a devida atenção ao trabalho, podem descobrir um álbum cativante e com ótimos momentos.

NOTA: 8,0

Sonata Arctica é:
- Tony Kakko (vocal);
- Elias Viljanen (guitarra);
- Pasi Kauppinen (baixo);
- Tommy Portimo (bateria);
- Henrik Klingenberg (teclado).

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Lusferus - Desolation’s Theme (2015)


Lusferus - Desolation’s Theme (2015)
(Eternal Hatred Records - Nacional)


01. A Taste of Aquarian Age
02. Luciférico Hino
03. The Throne
04. Desolation’s Theme
05. Silent Bird of Changes
06. Four Concepts Aligned
07. Apostasy

Quando afirmamos que as bandas nacionais não deixam nada a dever se comparadas às gringas, não é apenas um discurso ufanista sem qualquer tipo de embasamento. É apenas uma simples constatação de quem acompanha de perto o underground nacional. Um exemplo disso é o Lusferus, surgido em Ribeirão Preto/SP, no ano de 2007 e que em 2015 lançou seu terceiro trabalho,  Desolation’s Theme, sempre apostando em um Black Metal com aquela pegada nórdica típica dos anos 90.

O quarteto formado por Goehrnis (vocal/guitarra), O.Gelfuso (guitarra), Mutt (baixo) e Ivåder (bateria) pratica um Black Metal que vai te remeter a formações como Dissection, Sacramentum, Naglfar e afins, mas sem soar como cópia, já que mostram personalidade de sobra em sua música. Em todas as composições aqui presentes, mesmo que não apresentem nada propriamente novo, temos energia de sobra, agressividade, peso e, principalmente, ótimas melodias.

Quem teve a oportunidade de escutar os trabalhos anteriores do Lusferus, o EP Luciférico Hino (07), e os álbuns Opus Satanus: Apostasia (08) e Black Seeds ov Obscure Arts (13), vai notar de cara que a banda soa bem mais madura. Por mais que fossem bons trabalhos, não tinham o nível de qualidade que encontramos em Desolation’s Theme. Talvez a maior prova disso é que, logo após a breve introdução, temos uma ótima regravação para a faixa título do EP de estreia. Aqui ela soa mais sutil e bem trabalhada, com ótimas guitarras e melodias, além de belas passagens acústicas. É um dos grandes destaques do álbum. Outra regravação presente é a última faixa, “Apostasy”, que encerra o debut da banda e que aqui soa superior à original. Realmente muito boa. 


Das 4 faixas restantes, propriamente inéditas, “The Throne” é obscura, direta e tem boa inclusão de vocais limpos, a cargo de Gelfuso, “Desolation’s Theme” é densa e alterna bem momentos mais cadenciados com outros mais rápidos, além de ter as melhores melodias de todo o trabalho. Já “Silent Bird of Changes” é um belíssimo interlúdio acústico, que prepara o terreno para a feroz e cadenciada “Four Concepts Aligned”, que conta com vocais adicionais de Paolo Bruno, do Desdominous.

Gravado no Under Studio, a produção foi feita pela banda em parceira com Rômulo Ramazini, que também foi o responsável pela mixagem. Já a masterização foi obra de Sandro Resende, no Finalize Studio Audio Post. O resultado final foi bom, já que deixou tudo muito claro, mas sem deixar o peso e a agressividade de lado. A capa e o design do encarte foram feitos por Rafael Tavares, que já trabalhou com nomes como Blood Red Throne, Chaos Synopsis, Coldblood, Queiron e Ocultan. Não menos que ótimos.

Ao final, o Lusferus mostra que para fazer um som de alta qualidade, não se faz necessário apresentar algo propriamente novo, bastando você saber usar as boas referências a seu favor, imprimindo sua identidade. Um trabalho consistente, extremo e diversificado, que não fica devendo nada ao que vem lá de fora.

NOTA: 8,5

Lusferus é:
- Goehrnis (vocal/guitarra);
- O.Gelfuso (guitarra);
- Mutt (baixo);
- Ivåder (bateria).

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Anita Latina - Anita Latina (2016)


Anita Latina - Anita Latina (2016)
(Alternative Music - Nacional)


01. Desert
02. Baião
03. Insunity
04. The Day Your Savior Comes
05. Love (Defend Against Its Devotees)
06. Nullius In Verba
07. Zomia
08. Zephyr

Uma das coisas legais de não se ter a cabeça fechada para música é que isso muitas vezes te dá a oportunidade de conhecer bandas bem legais, que procuram sair daquele ABC básico do Rock. Esse é o caso desse Power Trio de Campinas/SP, formado em 2010 e que chega aqui a seu primeiro trabalho completo de estúdio.

Com sua formação estabilizada há algum tempo e contando com Bruno Ganzoni (vocal/baixo/teclado), Tarcísio Barsalini (guitarra) e Matheus Vazquez (bateria), todos graduandos em música pela Unicamp, o Anita Latina (sim, eu sei, o nome causa certo arrepio) aposta em uma espinhosa mistura de Rock Alternativo, Hard, Progressivo, Jazz, Fusion e MPB. A história da música mostra que, normalmente, quem tenta abraçar o mundo acaba de braços vazios, mas felizmente esse não é o caso aqui.

Na maior parte do álbum, é muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo na música do trio. O instrumental se mostra bem intrincado e técnico, a todo tempo elementos de fora são inseridos, mas ainda assim, dada a categoria dos instrumentistas, conseguem manter a coesão e a coerência do trabalho. Claro, não estamos falando aqui de músicas fáceis de serem consumidas e eu mesmo necessitei de algumas audições para me acostumar à proposta do Anita Latina, mas quando isso ocorre, fica difícil não gostar do que se escuta.


Uma coisa que facilita bastante a audição é que, apesar do alto nível de complexidade, não estamos lidando com músicas longas, como seria lógico de se pensar. Metade delas sequer chega aos 5 minutos de duração. Dentre as 8 aqui presentes, destacaria a faixa de abertura, “Desert”, que se mostra bem enérgica e pesada, “Baião”, com letra em português e que bem, o nome deixa bem claro o que o ouvinte encontrará pela frente (mas garanto, as influências de música popular foram muito bem encaixadas aqui) e “The Day Your Savior Comes”, uma das mais técnicas aqui presentes, com boa influência de Jazz e momentos que remetem ao Rush.

Quanto à produção, ai já entra uma questão mais de gosto pessoal meu. Gravado no Basement Studio, teve produção de Caio Ribeiro (também responsável pela masterização, no Electrosound) e co-produção de Tarcísio Jr, tendo a dupla também feito a mixagem. Está tudo claro, audível, bem timbrado, pesado, como deve ser. Mas para o meu gosto, achei um pouco crua demais, já que na minha cabeça, a proposta da banda pede um som mais refinado. De qualquer forma, é bem-feita e ficou bem orgânica, fugindo das produções mais plastificadas dos dias atuais. A ótima e criativa parte gráfica foi obra de Lucas Piro.

Ao final, é inevitável pensar até onde o Anita Latina pode chegar com o tempo e o amadurecimento natural que a estrada dá a qualquer banda. Não é um trabalho fácil, mas que decididamente vale o tempo gasto com audições adicionais, porque qualidade eles possuem de sobra e isso é mais que indiscutível.

NOTA: 8,0

Anita Latina é:
- Bruno Ganzoni (vocal/baixo/teclado);
- Tarcísio Barsalini (guitarra);
- Matheus Vazquez (bateria).

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Grave Digger – Healed by Metal (2017)


Grave Digger – Healed by Metal (2017)
(Napalm Records – Importado)


01. Healed by Metal   
02. When the Night Falls   
03. Lawbreaker   
04. Free Forever    
05. Call for War   
06. Ten Commandments of Metal    
07. The Hangman's Eye    
08. Kill Ritual    
09. Hallelujah   
10. Laughing with the Dead

Em 2017, o Grave Digger, sempre capitaneado por Chris Boltendahl, completa 37 anos de existência (incluindo aquele período obscuro entre 1986 e 1991, onde utilizaram os nomes Digger e Hawaii). Então nada melhor do que soltar um novo trabalho, seu 18º da carreira, contando aqui com Stronger than Ever (86) (Digger) e Exhumation (The Early Years) (15, onde regravaram alguns antigos clássicos da sua primeira fase). Poucas bandas de sua geração são tão longevas.

Nessas quase 4 décadas, sempre se mantiveram firmes e fiéis ao seu estilo, mesmo nos conturbados anos 90, período no qual, por sinal, lançaram alguns grandes álbuns, como Heart of Darkness (95), Tunes of War (96) e Knights of the Cross (98). Mesmo na primeira década dos anos 2000, em uma fase onde na minha visão, Boltendahl e cia não andaram lá muito inspirados, lançaram ao menos um grande trabalho, Rheingold (03). Mas a verdade é que, após a saída de Manni Schmidt e a entrada de Axel "Ironfinger" Ritt em 2009, as coisas voltaram a melhorar, culminando no ótimo Return of the Reaper (14) (resenha aqui).

Bem, sejamos sinceros, quando falamos de Grave Digger, sabemos exatamente o que esperar dessa verdadeira instituição germânica. Heavy/Power simples, puro, direto, sem inovações e surpresas. Você sabe que encontrará todos os clichês do gênero presentes em suas músicas, mas a verdade é que eles sabem brincar muito bem com os mesmos e o que tinha tudo para soar repetitivo (bem, não deixa de soar), acaba sendo absurdamente divertido. Muito disso vem da honestidade, energia e paixão com que fazem sua música. É nítida a honestidade dos mesmos em cada nota tocada.

Chris Boltendahl continua com seus vocais ásperos, dessa vez mais cantados do que gritados (o que é ótimo), enquanto os experientes Jens Becker (baixo) e Stefan Arnold (bateria), formam uma parte rítmica forte, pesada e afiadíssima. Mas também nem poderia ser diferente, afinal, estão ali desde Knights of the Cross. O “estreante” Marcus Kniep (era técnico de bateria da banda desde 2009) se sai muito bem ocupando o posto de tecladista, no lugar de H.P. Katzenburg, que saiu do Grave Digger logo após Return of the Reaper, depois de quase 2 décadas na função. Mas todos os louros aqui vão para Axel Ritt. O cara simplesmente destrói durante os 37 minutos de duração de Healed by Metal (até nisso foram old school), com uma guitarra monstruosa, riffs épicos e ótimos solos. 


O álbum abre com a já conhecida faixa título, mais mid tempo, com um refrão daqueles feito para se cantar junto (são vários durante todo o trabalho) e totalmente anos 80. Perfeita para ser tocada ao vivo. Dando prosseguimento, temos uma das melhores aqui presentes, “When the Night Falls”, mais raivosa, agressiva e com ótimas melodias e riffs. Logo em seguida entra o momento Judas Priest/Saxon, com a dobradinha “Lawbreaker”/“Forever Free”, que poderiam estar em qualquer álbum da dupla. Já que falamos em momento, temos também o “sou muito fã de mim mesmo”, com a enérgica e direta “Call for War”. Por que falo isso? The Dark of the Sun. Entendedores entenderão. E nisso se vai a primeira metade de Healed by Metal sem que você ao menos tenha percebido isso.

Abrindo a segunda metade, temos outra faixa mid tempo, “Ten Commandments of Metal”, com todo seu clima oitentista, seguida pela destruidora, pesada e sombria “The Hangman's Eye”, outra que se destaca um pouco acima das demais durante a audição. “Kill Ritual” é um Power Metal tipicamente alemão, rápido, feroz, tem riffs afiadíssimos e aquele refrão cativante. Poderia estar em qualquer um dos primeiros álbuns do Blind Guardian ou mesmo no Rheingold. Certamente vai deixar os fãs felizes. Já “Hallelujah” tem uma das melodias mais cativantes de todo o trabalho e um desempenho primoroso de Axel Ritt, que culmina em um dos melhores solos do álbum. Encerrando, temos “Laughing with the Dead”, cadenciada, pesada e a mais épica de todo o trabalho. É outra que consigo imaginar sendo executada ao vivo, com o público cantando o refrão a plenos pulmões. Melhor encerramento, impossível.

Um pouco mais direto e pesado que seu antecessor, Healed by Metal não foge da já conhecida fórmula que o Grave Digger possui para compor. Muitos podem se incomodar com isso e sinceramente, não os condeno, afinal, esse tipo de solução pode realmente soar cansativa, principalmente se faltar inspiração (como ocorreu em vários momentos nos anos 2000). Mas sinceramente, nem sempre se faz necessário que uma banda saia de sua zona de conforto e isso ficou provado aqui. Simplesmente, um álbum de Heavy Metal puro, como muitos deveriam ser. Precisa mais? Acho que não.

NOTA: 8,5

Grave Digger é:
- Chris Boltendahl (vocal);
- Axel Ritt (guitarra);
- Jens Becker (baixo);
- Stefan Arnold (bateria);
- Marcus Kniep (teclado)

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