quinta-feira, 18 de maio de 2017

Nailed to Obscurity – King Delusion (2017)


Nailed to Obscurity – King Delusion (2017)
(Apostasy Records - Importado)


01. King Delusion    
02. Protean    
03. Apnoea    
04. Deadening    
05. Memento    
06. Uncage My Sanity    
07. Devoid    
08. Desolate Ruin

Se você não conhece o quinteto alemão Nailed to Obscurity, não precisa se sentir culpado, pois apesar de estarem na estrada desde 2005, não primaram por uma grande quantidade de lançamentos nesse período, sendo King Delusion apenas seu 3º trabalho de estúdio. Mas se você faz parte do time daqueles que teve a oportunidade de escutar os trabalhos anteriores, Abyss (07) e, principalmente, o ótimo Opaque (13), já sabe que irá se deparar com um Melodic Death/Doom de primeiríssima qualidade.

As referências aqui são bem claras e nomes como Katatonia, Novembers Doom, Daylight Dies, Swallow the Sun, Paradise Lost e Opeth virão à tona em algum momento da audição, mas ainda assim o Nailed to Obscurity passa longe de soar como mera cópia de qualquer um desses nomes, pois consegue forjar uma identidade própria através de doses de progressividade e, principalmente, das influências evidentes de Post-Rock/Metal. Todas essas influências são muito bem fundidas, gerando assim um som que, se não apresenta nada essencialmente novo, consegue soar absurdamente cativante.

Individualmente, todos encontram espaço para brilhar aqui. O vocalista Raimund Ennenga consegue se sair muito bem, tanto cantando urrado quanto limpo. Aliás, nos momentos mais melódicos, é ele o responsável pelo peso. Já a dupla de guitarristas Jan-Ole Lamberti e Volker Dieken brilha como nunca aqui, sendo ambos primordiais para o ótimo resultado final de King Delusion. Seus riffs trafegam com uma naturalidade absurda entre o Doom, o Post-Rock e o Post-Metal, soando pesados e imponentes, mas sem perder uma certa acessibilidade. A parte rítmica com o baixista Carsten Schorn e o baterista Jann Hillrichs consegue imprimir grande diversidade às canções, com maior destaque para Jann.


Musicalmente, o Nailed to Obscurity dá um passo à frente com relação a Opaque. As já citadas influências mais evidentes de Post-Rock/Metal e a inclusão de alguns vocais limpos enriqueceram  muito o resultado final. Isso já fica claro na sequência de abertura, com a faixa título, onde as ótimas melodias e o trabalho das guitarras consegue gerar um clima obscuro e sinistro e em “Protean”, faixa bem emotiva e onde Raimund Ennenga se destaca com um ótimo trabalho vocal. Após o obscuro interlúdio instrumental intitulado “Apnoea”, temos a excelente “Deadening”, que no seu instrumental se envereda pelos caminhos do Gothic Rock e conta com uma ótima mescla de vocais mais sussurrados com outros mais puxados para o Death. “Memento”, a faixa seguinte, é outra que se destaca pelos ótimos elementos de Post-Rock, sendo seguida pelo grande destaque do álbum, a épica “Uncage My Sanity”. Apesar dos mais de 12 minutos, se mostra uma música dinâmica, sombria, com ótimas melodias e onde partes mais pesadas são intercaladas com outras mais atmosféricas. Em alguns momentos, se torna impossível não lembrar do Novembers Doom. Fechando o trabalho, mais duas faixas de muita qualidade: “Devoid”, faixa cativante, com riffs e melodias marcantes que conseguem passar uma sensação de melancolia e “Desolate Ruin”, simplesmente esmagadora e sufocante.

O Nailed to Obscurity pode não reinventar o estilo com King Delusion, mas mesmo sem apresentar algo revolucionário, conseguiu forjar um conjunto de canções que, além de fluir de forma absurdamente natural, consegue ter uma cara própria e agrada qualquer fã de Melodic Death/Doom Metal. E que, com esse trabalho, consigam o merecido reconhecimento e entrem para o hall das principais bandas do estilo, porque qualidade para isso eles possuem de sobra.

NOTA: 8,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 67. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo. Vale muito a pena baixar/ler.

Download: https://goo.gl/bTSlRW
Leitura Online: https://goo.gl/zjImbt

Nailed to Obscurity é:
- Raimund Ennenga (vocal);
- Jan-Ole Lamberti (guitarra);
- Volker Dieken (guitarra);
- Carsten Schorn (baixo);
- Jann Hillrichs (bateria).

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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Heretic - Leitourgia (2015)


Heretic - Leitourgia (2015)
(Two Beers Or Not Two Beers - Nacional)

 
01. Rajasthan Ritual
02. I Am Shankar
03. Lamashtu
04. Ghost Of Ganheesha
05. Unleash The Kraken
06. Sensual Sickness
07. Sonoro
08. Solaris
09. Solitude (Black Sabbath cover)
10. The Hedonist

Desafiadora. Está aí uma palavra que cai bem para definirmos a música praticada pelo Heretic. Surgido em Goiânia/GO, no ano de 2010, o então trio resolveu apostar suas fichas em um nicho pouco explorado por bandas de Metal no Brasil, já que sua música é totalmente instrumental. Mas, surpreendentemente, esse nem é o grande diferencial do material que nos é apresentado, já que Leitourgia (seu 2º álbum de estúdio) nos reserva muitas outras surpresas. "E quais seriam essas?", deve estar se perguntando o caro leitor. Bem, vamos lá.

Ao olhar a capa, já temos uma boa pista do que encontraremos por aqui. Com uma gravura de uma suntuosa biblioteca de fundo, elementos orientais se misturam. O nome da banda está grafado seguindo um padrão da escrita árabe. O do cd, segue o alfabeto grego. Centralizado, entre os dois, um escaravelho, elemento importante da mitologia egípcia (diretamente relacionado ao Deus Khefri). E pode acreditar, quando a música começa a tocar, tudo isso é realmente transposto para a mesma.

E vale dizer que a sonoridade do Heretic não é ampla apenas pelo fato de agregar elementos orientais árabes, gregos e indianos (em alguns momentos, temos até instrumentos africanos), mas também por abranger estilos como o Prog, Thrash e Death Metal, resultando em uma música não só muito variada, como também bastante técnica. A verdade é que em momento algum abrem mão do peso, mesmo quando os arranjos étnicos surgem com força nas canções. Os riffs de Guilherme Aguiar são de muita qualidade e a parte rítmica, formada por Laysson Mesquita (baixo) e Diogo Sertão (bateria) é um espetáculo à parte. É de cair o queixo.


O álbum é muito bem equilibrado, mesmo não se tratando de uma proposta de fácil digestão. Vale destacar a faixa de abertura, “Rajasthan Ritual”, que certamente vai agradar os fãs de Prog, as pesadas “I Am Shankar” e “Ghost Of Ganheesha”, a ótima versão para “Solitude”, do Black Sabbath e a faixa que encerra os trabalhos, a ótima “The Hedonist”. Claro, nem tudo são flores por aqui, já que a produção deixa um pouco a desejar (poderia ser mais limpa, mais bem trabalhada) e não foram lá muito felizes na escolha dos timbres, mas nada que comprometa em excesso o resultado final.

Gosta de nomes que misturam Metal com música oriental, como Orphaned Land, Yossi Sassi, Melechesh, Myrath, Arkan ou até mesmo Nile, incluindo aí o trabalho solo de Karl Sanders? Então vale a pena buscar conhecer o trabalho do Heretic. Após Leitourgia, já contando apenas com Guilherme na formação e com a colaboração de diversos outros músicos, lançaram mais 2 álbuns, The Pessimist (15) e The Errorism (16), além de um EP, Keretika (16). Mais um nome promissor e, acima de tudo, original, surgido na cena nacional.

NOTA: 8,0

Heretic (gravação):
- Guilherme Aguiar (guitarra);
- Laysson Mesquita (baixo);
- Diogo Sertão (bateria).

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Dr. Kong - Protagonista (2016)


Dr. Kong - Protagonista (2016)
(Independente - Nacional)


01. Protagonista
02. Fale Tudo
03. Honoráveis Primatas
04. Olho Do Furacão
05. Consciência
06. Superficial
07. Indignação
08. Não Perca O Humor
09. Rarefeito
10. Passos
11. Me Chame Essa Noite
12. Por Sorte
13. Metanoia

O Rock Nacional viveu seu auge em matéria de popularidade nos anos 80. Bandas e artistas como Legião Urbana, Cazuza, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Ira!, Plebe Rude, Celso Blues Boy, Capital Inicial, Titãs, dentre alguns outros menos cotados, eram figurinhas carimbadas nas programações de rádio e nos programas de TV. A partir dos anos 90, com o crescimento de estilos mais populares, o mesmo iniciou uma espiral rumo ao underground, com poucos novos nomes surgindo e apenas o mesmos velhos nomes da década anterior conseguindo manter o mínimo de protagonismo. E de lá pra cá, podemos dizer que as coisas só pioraram.

Não que não existam bons nomes por ai. Basta uma busca minimamente criteriosa nos subterrâneos do Rock no Brasil para se constatar que várias bandas de qualidade surgiram nas últimas duas décadas, mas que infelizmente ficaram restritas a um público relativamente pequeno, sempre longe da grande mídia. Surgido no ano de 2015, em Goiânia/GO, o Dr.Kong se envereda pelo citado estilo, com alguns toques interessantes de Hard Rock e Blues que acabam por dar um tempero interessante à sua música.

Uma coisa que vem me incomodando cada vez mais é a pressa que algumas bandas têm de lançar seu trabalhos, mesmo que sua sonoridade ainda não esteja amadurecida para tal. Esse é o grande pecado do Dr.Kong. Individualmente, estamos diante de músicos talentosos, é algo que não dá pra negar. Eliel Carvalho e Gustavo de Carvalho apresentam um bom trabalho de guitarras, com as mesmas soando muito agradáveis, enquanto o baixista Gustavo Silva e o baterista Wagner Arruda formam uma parte rítmica coesa e de bastante qualidade. Não apresentam absolutamente nada de novo, mas soam acima de tudo honestos e agradáveis. As letras, em português, também são bem interessantes. O problema todo se dá quando o vocalista Flávio de Carvalho entra na música.


Não, Flávio não é um mau vocalista, justamente o contrário, mas peca em algo primordial para sua função, que é a personalidade. Uma hora, soa como um clone de Frejat (ex-Barão Vermelho), em outras, remete levemente a Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso). Existem também aquelas passagens em que você pensa estar escutando o finado Renato Russo (Legião Urbana), ou então Kim (Catedral). Decididamente, em momento algum soa como Flávio de Carvalho e isso prejudica demais o resultado final, já que essa falta de identidade, somada ao fato de musicalmente não apresentarem nada de novo, acaba causando aquela sensação chata do “eu já ouvi isso antes”. Se não fosse a já citada honestidade que transborda em cada nota, isso poderia ser extremamente irritante.

Obstante isso, ainda assim temos momentos muito bons. A faixa-título, que abre o trabalho, soa como um daqueles rocks com pegada blues que o Barão Vermelho sempre fez com muita qualidade. Abstraia o fato de você jurar ser o próprio Frejat cantando e vai se divertir bastante, até porque o refrão da mesma é desses que pega fácil o ouvinte. Isso se repete na enérgica “Fale Tudo”, em “Olho do Furacão” e “Consciência” (com aquela pegada mais puxada para Rolling Stones e AC/DC, outra característica que o Barão sempre usou muito bem). O peso dá as caras em “Honoráveis Primatas” e “Indignação”. Ainda mostram ter o dom para compor baladas, com as boas “Não Perca O Humor” e “Me Chame Essa Noite”, que poderiam estar em qualquer trabalho da carreira solo de Frejat, tamanha a emulação das mesmas.

A produção mostra muita qualidade, com a mixagem e masterização tendo sido realizadas pelo guitarrista Eliel de Carvalho e por Guilherme Bicalho. Resultado final superior à média do que vemos por aí. A parte gráfica é simples e muito bem feita. Qualidade o Dr.Kong possui, falta agora buscarem com urgência dar uma cara própria à sua música, principalmente no que tange ao vocal. Por ser um trabalho de estreia de uma banda nova, acaba-se relevando tamanha falta de identidade, mas para trabalhos futuros essa benevolência dificilmente existirá. Se você gosta daquele Rock Nacional típico dos anos 80, e principalmente, Barão Vermelho, vale a pena dar uma chance ao quinteto.

NOTA: 7,0

Dr.Kong é:
- Flávio de Carvalho (vocal);
- Eliel Carvalho (guitarra);
- Gustavo de Carvalho (guitarra);
- Gustavo Silva (baixo);
- Wagner Arruda (bateria).

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terça-feira, 16 de maio de 2017

Nervochaos - Nyctophilia (2017)


Nervochaos - Nyctophilia (2017)
(Cogumelo Records - Nacional)


01. Moloch Rise
02. Ritualistic
03. Ad Majorem Satanae Gloriam
04. Season Of The Witch
05. Waters Of Chaos
06. The Midnight Hunter
07. Rites Of The 13 Cemeteries
08. Vampiric Cannibal Goddess
09. Stained With Blood
10. Lord Death
11. Dead End
12. World Aborted
13. Live Like Suicide

Não é exagero algum dizer que o Nervochaos é uma instituição do Metal Extremo nacional. São 21 anos de carreira, batalhando no underground e conquistando seu espaço, sempre com muita garra e paixão pelo estilo. Estreando sua nova formação em estúdio, com Lauro Nightrealm (vocal/guitarra, ex-Querion), Cherry (guitarra, Hellsakura), Thiago Anduscias (baixo), que retornou após 10 anos fora da banda (saiu em 2006, após Quarrel in Hell) e o sempre batalhador Edu Lane (bateria), podemos afirmar com 100% de certeza que vivem o seu melhor momento.

Em seu 7º trabalho de estúdio, intitulado Nyctophilia, o quarteto apresenta o trabalho mais maduro e forte de toda a sua carreira. Tendo como base aquele Death Metal com os 2 pés muito bem fincados na cena americana do final dos anos 80/início dos 90 (tendo como maiores referências Deicide e Morbid Angel, mas sem soar como cópia), adicionam elementos de estilos diversos como Thrash, Doom, Black e Hardcore, tornando sua sonoridade, além de bem variada, devastadora e com uma dose de obscuridade. Ok, pode não ser a reinvenção da roda, mas não tenha dúvida, por cerca de 44 minutos, você será exposto a um verdadeiro massacre sonoro.

Os vocais de Lauro Nightrealm estão simplesmente infernais e vão agradar em cheio aos fãs do estilo, até porque mesmo soando mais variados, com algumas incursões pelo Black Metal, não fogem daquela linha tradicional do estilo. Além disso, ao lado de Cherry, forma uma dupla de guitarristas simplesmente matadora, já que despejam alguns dos melhores riffs da carreira da banda, pendendo para o Thrash em muitos momentos. Já a parte rítmica se mostra absurda, soando bem coesa e técnica. Edu está, sem sombra alguma de dúvida, entre os melhores bateristas de Metal Extremo da atualidade, e o que ele faz em alguns momentos aqui é de cair o queixo.

O álbum já começa de forma simplesmente impiedosa, com a violenta “Moloch Rise”, mesclando Death Metal e Hardcore com maestria. Impressiona como uma música de menos de 3 minutos consegue ser tão variada, com passagens velozes e outras mais cadenciadas. Na sequência temos a violenta “Ritualistic”, que assim como a anterior, alterna passagens mais velozes e outras com um pouco mais de cadência, além de ter ótimos riffs. Sem dúvida é a que mais remete ao Deicide aqui. Podemos dizer que “Ad Majorem Satanae Gloriam” é a faixa “diferentona” de Nyctophilia. Com uma melodia simplesmente grudenta de tão boa, tem uma pegada gótica (sim colega, gótica), com um ar bem sombrio que a torna umas das faixas mais legais de todo o trabalho. A violência volta à tona com “Season Of The Witch”, que começa de forma mais pesada e lenta, para depois explodir em um verdadeiro massacre. Isso se repete em diversos outros momentos, não só nela, como em todo álbum. Destaque também para os vocais de Lauro, que em alguns momentos cai para o lado do Black Metal. Nessa mesma pegada, temos a forte e brutal “Waters Of Chaos”, que vai te fazer bater cabeça involuntariamente. Encerrando a primeira metade, “The Midnight Hunter” traz as influências de Hardcore novamente para o centro da música, soando absurdamente agressiva.


“Rites Of The 13 Cemeteries” abre a segunda metade seguindo o esquema de sua antecessora, com destaque para a dupla Thiago/Edu, que realizam um excepcional trabalho, enquanto “Vampiric Cannibal Goddess” se mostra um dos pontos altos de todo o CD. Sinistra, brutal e com riffs simplesmente esmagadores, é dessas que ficam na memória por dias. “Stained With Blood” começa de forma bem arrastada, lenta, quase Doom, até explodir em fúria. Alternando velocidade e cadência, é uma das mais variadas aqui. É nessa mesma linha que temos em sequência a violenta “Lord Death”, outra onde a bateria se destaca e “Dead End”, com o baixo se destacando, bons toques de Thrash e muito peso. Encerrando o álbum, outra dupla matadora. “World Aborted” soa bruta, alternando uma pegada um pouco mais lenta com alguns momentos altamente velozes, enquanto “Live Like Suicide” soa absurdamente agressiva e trafega com grande naturalidade entre o Death, o Thrash e o Doom, encerrando Nyctophilia com chave de ouro.

Faz-se mais do que necessário destacar a ótima produção. Gravado no Alpha Omega Studio, em Como, Itália, teve produção, mixagem e masterização realizadas por Alex Azzali (que já havia trabalhado com a banda nos dois últimos álbuns). O som ficou claro, limpo, cristalino, sendo possível escutar todos os instrumentos. Mas ainda assim, em momento algum soa artificial, como a maioria nos dias de hoje. Já a parte gráfica é um belíssimo trabalho de Alcides Burn (https://www.burnartworks.com/), não devendo nada a qualquer banda gringa.

Mostrando estar no seu auge técnico e criativo, o Nervochaos lançou não só seu melhor álbum, como também um dos grandes trabalhos nacionais desse ano de 2017, e candidato forte às listas de final de ano. É Death Metal da melhor qualidade, produzido com muito esmero para quebrar pescoços alheios. Prepare a cartela de relaxante muscular ou o telefone do ortopedista, pois ao final de Nyctophilia, você com toda certeza irá precisar de um dos dois.

NOTA: 8,5

Nervochaos é:
- Lauro Nightrealm (vocal/guitarra);
- Cherry (guitarra);
- Thiago Anduscias (baixo);
- Eduardo Lane (bateria).

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domingo, 7 de maio de 2017

Melhores álbuns – Abril de 2017


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de abril na opinião do A Música Continua a Mesma.

 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Marillion - Marbles in the Park (2017)


Marillion - Marbles in the Park (2017)
(Shinigami Records/earMusic – Nacional)


CD1
1. The Invisible Man
2. Marbles I
3. Genie
4. Fantastic Place
5. The Only Unforgivable Thing
6. Marbles II
7. Ocean Cloud
8. Marbles III
9. The Damage

CD2
1. Don’t Hurt Yourself
2. You’re Gone
3. Angelina
4. Drilling Holes
5. Marbles IV
6. Neverland
7. Out Of This World
8. King
9. Sounds That Can’t Be Made

Formado em Aylesbury, na região metropolitana de Londres, no ano de 1979, o Marillion fez o Rock Progressivo renascer nos anos 80, com o ótimo Script for a Jester's Tear (83). Música bem trabalhada e complexa na medida certa para não soar exagerada. Daí em diante, capitaneados por Fish e sua voz marcante, foram adicionando mais doses de melodia, mas sem perder as características básicas de sua música, resultando em uma sequência clássica composta por Fugazi (84) e seu maior sucesso comercial, Misplaced Childhood (85). Após isso, mais um álbum (que reforçou ainda mais o lado melódico) e Fish parte. Para muitos, o Marillion acabou ai.

Steve Hogarth, seu substituto, nunca foi aceito por uma parcela dos fãs. Muito disso se dá pelo fato de que sua entrada coincidiu justamente com a fase mais comercial da banda, que resultou no discutível Holidays in Eden (91), bem voltado para o Pop/Soft Rock, ou mesmo em outros não tão bons como This Strange Engine (97), Radiation (98) e Marillion.com (99), tentativas fracassadas de soarem mais modernos. Mas ao mesmo tempo, foi com Hogarth que lançaram trabalhos elogiadíssimos pela crítica, como o conceitual Brave (94), Afraid of Sunlight (95), um dos melhores de sua carreira, e Marbles (04).

A base de fãs do Marillion sempre foi muito forte, tanto que muito antes do crowdfunding virar moda no meio da música, já haviam trabalhado com a ideia nos lançamentos dos álbuns Anoraknophobia (01) e do próprio Marbles. Foi ela também que permitiu que a banda começasse a fazer convenções pelo mundo, os Marillion Weekends, reunindo milhares de fãs que têm a oportunidade de um contato mais direto com a banda e onde realizam apresentações especiais. E foi em um desses finais de semana, na Holanda em 2015, que resolveram apresentar em uma das noites o álbum Marbles na íntegra, reforçado por 2 canções retiradas de Afraid of Sunlight (“Out Of This World” e “King”) e a faixa título de Sounds That Can't be Made (12).


E bem, podemos dizer que esse é um trabalho mais do que indicado não só para os fãs da fase Hogarth, como também para os de boa música. Com uma qualidade de som cristalina, é possível apreciar músicas com uma boa dose de complexidade, mas que não abrem mão das belas melodias e de uma forte carga emocional. Em muitos momentos, os vocais cheios de classe de Steve se destacam, se colocando como o centro das atenções, mostrando que sim, existe Marillion sem Fish (só não é a mesma banda, o que não é um crime). Os maiores destaques aqui ficam por conta de “You’re Gone”, “Ocean Cloud”, “The Damage”, “Drilling Holes”, “The Invisible Man”, “The Only Unforgivable Thing” e “Angelina”.

Gravado e mixado por Michael Hunter (que já trabalha com a banda há algum tempo), como já dito, tem uma sonoridade mais que cristalina, beirando a perfeição, permitindo tanto ouvir cada detalhe das músicas, como também notar a empolgação do público. Você chega a se sentir no meio do mesmo em alguns momentos, caso feche os olhos durante a audição. Além disso, vem com um encarte belíssimo, com 16 páginas recheadas de belas fotos da apresentação. Um trabalho ao vivo primoroso e que mostra a banda vivendo sua melhor fase em quase 2 décadas.

NOTA: 9,0

Marillion é:
- Steve Hogarth (vocal);
- Steve Rothery (guitarra);
- Pete Trewavas (baixo);
- Mark Kelly (teclado);
- Ian Mosley (bateria).

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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Prong - X - No Absolutes (2016)


Prong - X - No Absolutes (2016)
(Shinigami Records/SPV Steamhammer - Nacional)


01. Ultimate Authority   
02. Sense of Ease   
03. Without Words   
04. Cut and Dry   
05. No Absolutes    
06. Do Nothing
07. Belief System     
08. Soul Sickness
09. In Spite of Hindrances
10. Ice Runs Through My Veins    
11. Worth Pursuing    
12. With Dignity 
13. Universal Law

Capitaneado pelo vocalista e guitarrista Tommy Victor, o Prong nunca foi uma banda comum, já que sempre se destacou pela amplitude de sua música. Fundindo estilos e buscando abordagens que sempre saíram do lugar-comum, sua música não pode ser acusada de falta de personalidade. Do Crossover do início de carreira para a mescla de Thrash, Hardcore, Groove e Metal Industrial, acabaram servindo de influências declaradas para nomes diversos, como Korn, Nine Inch Nails, Demon Hunter (que coverizou “Snap Your Fingers, Snap Your Neck” em seu 3º álbum), dentre outros.

Indiscutivelmente, viveram sua melhor fase na primeira metade dos anos 90, com o lançamento dos ótimos Prove You Wrong (91) e Cleansing (94), tendo depois seus altos e baixos. Mas desde Carved into Stone (12) vivem um momento bem positivo e produtivo, já que entre 2012 e 2016, lançaram 3 álbuns de estúdio (contando com esse), 1 de covers e 1 ao vivo. Ruining Lives (14), seu álbum anterior, possuía tendências mais comerciais, mas ainda assim tinha muita qualidade e já deixava pistas do rumo futuro da banda. E isso se materializou em X - No Absolutes, um trabalho que equilibra passado e presente de forma bem interessante.


Claro que todas as características que conhecemos se fazem mais que presentes aqui. O estilo vocal inconfundível de Tommy, os riffs pesados, a parte rítmica sólida, aquela energia típica do Hardcore, mesclada com Thrash/Groove e algo de Industrial. Mas também temos um enfoque muito maior na acessibilidade, nas melodias. Funciona na maior parte do tempo, mas em outros não, como em “Do Nothing” e principalmente,  “With Dignity”, esta última remetendo aos piores momentos do Linkin Park. A sorte é que os momentos de qualidade surgem em muito maior quantidade. A trinca inicial, com “Ultimate Authority”, “Sense of Ease” e  “Without Words”, apresenta o melhor do Prong, com riffs memoráveis, ótimo groove e agressividade. “Belief System” é bruta, pesada e com algumas influências de Deathcore e Djent, que a deixam bem contemporânea, enquanto “Ice Runs Through My Veins” consegue equilibrar muito bem melodias grudentas e acessíveis com muita energia e um bom uso de elementos eletrônicos.

A produção ficou a cargo da dupla Tommy Victor e Chris Collier (Metal Church, Last In Line, Flotsam and Jetsam), sendo que esse último também cuidou da masterização e da mixagem. O resultado apresentado aqui é muito bom e superior ao que ouvimos em Ruining Lives. Já a capa ficou por conta de Sebastian Rohde (Iced Earth). Mesmo soando um pouco mais comercial do que de praxe em alguns momentos, na maior parte do tempo o Prong encontra o equilíbrio entre agressividade, peso e boas melodias, fazendo de X - No Absolutes, mais um grande lançamento. Os fãs certamente não irão se decepcionar.

NOTA: 8,0

Prong:
- Tommy Victor (vocal/guitarra);
- Jason Christopher (baixo);
- Arturo "Art" Cruz (bateria).

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