terça-feira, 17 de outubro de 2017

Weakless Machine - Manipulation (2017)


Weakless Machine - Manipulation (2017)
(Independente - Nacional)


01. Manipulation
02. Get Ready
03. Tarred With the Same Brush
04. Burning All
05. Death Knocks On My Door
06. Kill
07. Pain
08. Tribal Wars
09. Unbroken

O Weakless Machine surgiu em Porto Alegre/RS, no ano de 2015, mas apesar do pouquíssimo tempo de estrada, resolveu não perder tempo e já partir para a gravação do seu debut. E olha, depois de escutar os cerca de 32 minutos de Manipulation, posso dizer sem medo que estamos diante de uma banda diferenciada, já que esse é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns nacionais que escutei neste ano.

A surpresa já começa quanto à sonoridade adotada pelo Weakless Machine. Ao contrário do que possamos imaginar, não investem em um Death ou Thrash Metal de pegada mais tradicional, como muitos bons nomes oriundos do Rio Grande do Sul. O quarteto, na época formado por Jonathan Carletti (vocal), Fernando Cezar (guitarra), Gustavo Razia (baixo) e Luke Santos (bateria) (que veio a sair da banda após a gravação, sendo posteriormente substituído por Renato Siqueira), aposta suas fichas em um Modern Metal que flerta em muitos momentos com o Thrash, o Groove e o Metalcore, e que soa absurdamente pesado e agressivo, além de possuir melodias verdadeiramente contagiantes.

Durante a audição de Manipulation, nomes como Machine Head, Trivium, Lamb of God, Slipknot, Metallica (pós-Black Album) e Killswitch Engage certamente virão à sua cabeça. Mas não pense que estamos falando de emulação, de cópia, pois a música do Weakless passa longe disso. Influenciado pelos nomes já citados, conseguem fazer uma música de muita personalidade e acima de tudo muito forte. Os vocais de Jonathan são ótimos, enquanto a guitarra de Fernando faz um trabalho primoroso, esbanjando ótimos riffs e melodias definitivamente grudentas. A parte rítmica de Gustavo e Luke transborda qualidade, peso, técnica e muita diversidade.

São 9 canções que vão direto ao ponto, sem espaço para enrolação e com alto potencial de destruir pescoços. “Manipulation” abre os trabalhos com muito de Groove, agressividade de sobra e ótimo desempenho da dupla Gustavo/Luke. O ótimo trabalho da guitarra, que despeja riffs furiosos, é um dos pontos altos da faixa seguinte, “Get Ready”, que além disso possui um refrão marcante. Já “Tarred With the Same Brush” se mostra avassaladora, esbanjando modernidade e brutalidade. Em alguns momentos, os vocais de Jonathan remetem aos de James Hetfield, o que não é pouca coisa. Mantendo a adrenalina alta, “Burning All” chega com ótimas melodias e muito peso. É dessas canções grudentas por natureza.


Localizada cirurgicamente no meio do álbum, certamente com a intenção de dar um refresco para o pescoço alheio, temos a ótima e introspectiva “Death Knocks On My Door”, mas logo em seguida a porradaria volta a imperar, com a bruta “Kill”, outra onde o Groove fala mais alto e a enérgica “Pain”. Já “Tribal Wars” se destaca não só pelos ótimos riffs, como pelo desempenho da parte rítmica, enquanto “Unbroken” encerra o álbum não só com melodias verdadeiramente grudentas, como também com um refrão marcante e diversidade de sobra.

Outro ponto alto aqui se dá com relação à parte técnica. A produção ficou a cargo de Renato Osório (Hibria), com mixagem e masterização feitas por Benhur Lima (ex-Hibria). O resultado final é excepcional, já que o som está claro, totalmente audível, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Uma das melhores produções nacionais que escutei neste ano. Embalado em um digipack caprichado, conta com capa e parte gráfica feitas por Tiago Masseti (Daydream XI), em um trabalho de altíssimo nível. Aqui temos a prova de que, mesmo com toda a crise que vive o país, é possível sim fazer um trabalho altamente profissional e que é capaz de colocar a banda em lugar de destaque.

Aqui temos não só a principal revelação nacional de 2017 até o momento, como também um dos melhores álbuns lançados por uma banda brasileira nesse ano. Se gosta de Modern Metal, esse é um trabalho que você precisa ter na sua coleção. Surpreendente e imperdível.

NOTA: 8,5

Weakless Machine (gravação):
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Luke Santos (bateria).

Weakless Machine é:
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Renato Siqueira (bateria).

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Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)


Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)
(Las Brujas Records - Importado)


01. Night Hag
02. El Pacto

O cenário latino-americano de Heavy Metal é riquíssimo, com ótimas bandas por todos os cantos, mas por algum motivo boa parte dos bangers brasileiros o desconhece quase que totalmente. E olha, não sabem o que estão perdendo. Formado por músicos experientes dentro do cenário argentino, o Witchour já é conhecido de quem acompanha o A Música Continua a Mesma, pois apareceram por aqui com seu EP de estreia, The Haunting (15), onde apresentaram 4 músicas nas quais podíamos escutar um Death Metal Melódico bem técnico e com muita qualidade.

Agora, preparando-se para finalmente soltarem seu álbum de estreia, lançam o single Night Hag/El Pacto, a partir do qual podemos ter uma ideia clara do que nos espera. E bem, evolução é uma palavra que se encaixa bem aqui. O som não mudou, permanece aquele Death Metal Melódico moderno, calcado em nomes como In Flames e Soilwork, mas conseguiram dar aquele passo evolutivo que se espera de toda banda, já que se mostram mais maduros, coesos, agressivos e sim, mais melódicos.

Os vocais de Alejandro Souza (ex-Frater) se destacam pela diversidade, com ele se saindo bem tanto nos tons mais agressivos quanto nos limpos (esses surgem nos refrões). A dupla de guitarristas formada por Ezequiel Catalano e Federico Rodrigues (ambos ex-Climatic Terra) nos apresenta um trabalho verdadeiramente primoroso, com ótimos riffs e solos melodiosos. Por último, temos a parte rítmica, com o estreante baixista Marco Ignacio Toba (ex-Thabu) e o baterista Javier Cuello (Anomalia), que se mostra muito variada, pesada e técnica.


São apenas 2 músicas, mas que cumprem bem o papel de nos deixar na expectativa pelo debut do quinteto. “Night Hag” esbanja peso e agressividade, soando bem enérgica e contando com riffs ótimos, cortesia de Ezequiel e Federico. Já “El Pacto”, cantada em espanhol (e provando que se saem bem cantando em qualquer idioma), se mostra bem variada, com várias mudanças de andamento (com destaque principal para o desempenho da dupla Marco/Javier) e melodias realmente excepcionais.

Gravado no La Cueva de las Brujas, com produção de Ezequiel Catalano, o trabalho teve mixagem e masterização realizados por Nicolás Ghiglione no Pgm Studios. O resultado final foi ótimo, com tudo claro, audível, pesado e agressivo, não deixando nada a dever se comparado com produções de alguns nomes já consagrados no cenário. Já a bela arte da capa foi obra de Julian Ciceri e mostra todo o cuidado que possuem com sua música.

Mostrando solidez, energia, agressividade, peso e uma capacidade ímpar de moldar ótimas melodias, o Witchour se mostra mais do que pronto para alçar voos bem mais altos e quem sabe, conquistar um lugar de destaque no cenário do Death Metal Melódico mundial. E aos interessados,  Night Hag/El Pacto está disponível para download gratuito no Bandcamp da banda.

NOTA: 8,5

Witchour é:
- Alejandro Souza (vocal);
- Ezequiel Catalano (guitarra);
- Federico Rodriguez (guitarra);
- Marco Ignacio Toba (baixo);
- Javier Cuello (bateria).

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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Warfield Death - Sucumbindo ao Medo (2017)


Warfield Death - Sucumbindo ao Medo (2017)
(Independente - Nacional)


01. Brutal
02. Vingança Infernal
03. Sucumbindo ao Medo
04. Mãos Fechadas para Injustiça
05. Sangue Derramado
06. Mercadores da Morte
07. Uma Festa que Acaba em Funeral

A cena nordestina talvez seja a mais forte do Brasil na atualidade, com ótimas bandas surgindo o tempo todo. O Warfield Death não se trata de uma banda propriamente iniciante, já que surgiu em Aracaju/SE no ano de 2009, mas só neste ano conseguiram finalmente lançar seu tão almejado debut (também possuem uma demo, intitulada simplesmente Death (09)).

Musicalmente, o quarteto formado por Marcos P. Viking (vocal), Thiago Madness (guitarra), Eduardo Vysceral (baixo) e Carlos Morte (bateria) não inventa, apostando forte suas fichas naquele Death Metal com uma pegada mais Old School, e que remete ao final dos anos 80/início dos 90, principalmente a nomes como Six Feet Under, Cannibal Corpse e Obituary. Mostram boa técnica e privilegiam a cadência e o peso, ao invés da velocidade, por mais que momentos assim surjam aqui e ali em sua música.

Os vocais de Marcos são bem agressivos, trafegando entre o urrado e o gutural, soando muitas vezes ininteligíveis, apesar de todas as músicas serem cantadas em português. Já a guitarra faz um belo trabalho aqui, soando não só direta, mas também bem variada. É responsável não só por bons riffs, mas também por algumas boas melodias. Já a parte rítmica se destaca não só pela coesão e boa técnica (o trabalho de bateria é muito bom), mas também pela diversidade que imprime às canções do Warfield Death. Não apresentam nada de novo, é verdade, mas conseguem utilizar muito bem a fórmula que adotaram, sem soarem como simples emulação. 


São 7 músicas que vão direto ao ponto, sem enrolar o ouvinte. Canções como “Brutal” e “Mercadores da Morte” mostram boa técnica, enquanto a variação rítmica é o destaque nas ótimas “Vingança Infernal” e “Sucumbindo ao Medo” (muito intensa, por sinal). “Sangue Derramado” esbanja brutalidade e a guitarra, com seus bons riffs, se destaca tanto em “Mãos Fechadas para Injustiça” e “Uma Festa que Acaba em Funeral”.

Mas cabem aqui algumas pequenas ressalvas. A produção, mesmo que não comprometa, já que os instrumentos estão bem audíveis, exagerou um pouco na crueza. Nada em excesso, mas trabalhar um pouco mais a produção vai ajudar a obterem um maior destaque. O outro “puxão de orelha” se dá devido ao trabalho gráfico aqui apresentado, que prima pela total e completa falta de informações. Não tem letras (apesar de serem em português), não tem os nomes dos músicos ou qualquer informação técnica. Pode parecer bobagem, mas em um mercado acirrado como o atual, esses detalhes contam demais. No fim, uma boa estreia de uma banda muito promissora.

NOTA: 7,5

Warfield Death é:
- Marcos P. Viking (vocal);
- Thiago Madness (guitarra);
- Eduardo Vysceral (baixo);
- Carlos Morte (bateria).

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domingo, 8 de outubro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

SKoR - Some Kind of Redemption (2017)
(Independente – Nacional)
 

Oriundo de Campinas/SP, o SKoR é um duo formado por Camila Ferreira (vocal) e Fernando Allgauer (guitarra), surgido em 2012 e que chega agora ao seu EP de estreia. Com letras bem fortes e densas, aposta em uma mescla muito legal de Gothic com Rock e Metal, que muitas vezes pode acabar por remeter o ouvinte aos americanos do Evanescence, por mais que sejam muito mais do que isso. Vale destacar também a belíssima voz de Camila, que se mostra diferenciada. Que venha um trabalho completo, pois já se mostram mais do que prontos para tal. (8,0)

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BlackForce - Slaves to Reality (2016)
(Independente – Nacional)


Surgido no ano de 2014 em Niterói/RJ, o BlackForce é mais um nome do nosso cenário a apostar no Thrash/Death. Essa mescla, apesar de não ser novidade alguma, acaba por gerar uma música muito bem-feita e interessante. Ok, temos alguns momentos um tanto genéricos aqui e ali, mas convenhamos, isso é mais do que normal para uma banda que está dando seus primeiros passos. O que importa é que na maior parte do tempo temos vocais guturais de qualidade, riffs velozes, algumas boas melodias e uma parte rítmica competente. O BlackForce tem tudo para agradar aos fãs de formações como Slayer, Exodus e Megadeth, o que não é pouca coisa. Uma boa estreia de uma banda que promete bastante para o futuro. (7,5)

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Katamarock - HAG (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido no ano de 2015, o Power trio paulistano apresenta em seu EP de estreia uma música bem variada e com boas letras em português. Se na primeira faixa do trabalho mostram uma veia mais Rock, na seguinte deixam escancarada toda a influência de Black Sabbath. Já o encerramento se dá com uma faixa carregada de groove. Se essa falta de um direcionamento maior pode vir a incomodar alguns, é justamente essa diversidade que pode agradar em cheio ao fã de Rock em geral. Se gosta de música pesada bem-feita, vale a pena conhecer. (7,0)

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Red Mess - Into the Mess (2017)
(Abraxas Records – Nacional)
 

Após dois bons EP’s, Crimson (14) e Drowning In Red (15), o trio londrinense finalmente chega ao seu álbum completo. E o que temos aqui é uma verdadeira ode à “música chapada”, com uma ótima mescla de Stoner e Progressivo, que rende momentos muito legais. Soando mais pesado e maduro que em seus trabalhos anteriores, o grupo paranaense apresenta riffs fortes e que são capazes de tornar o ouvinte escravo de sua música. Além disso, esbanjam energia e mostram que é possível sim, mostrar muita técnica sem soar pedante ou enjoativo. Uma ótima indicação para os fãs do estilo. (8,5)

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The Lotus Throne - Occvlt (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido apenas nesse ano, através das mãos de Juan Sotelo, o The Lotus Throne é uma One Man Band carioca que optou por se enveredar pelos sinuosos caminhos do Progressive Death Metal. E olha, meu amigo, o resultado aqui é muito bom, já que Juan (com o apoio de Diogo Macedo, que gravou a bateria) se saiu muito bem na difícil tarefa de mesclar o peso e a agressividade do Death, com as boas melodias e as partes complexas e intrincadas oriundas do Progressivo. Sem dúvida, uma das revelações nacionais de 2017. (8,0)

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Worsis - Blinded By The System (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido na cidade de Ipê/RS, no ano de 2014, com o nome de Kairos, o grupo gaúcho alterou seu nome para Worsis durante o processo de gravação do seu debut, após mudanças na sua formação. E como toda boa banda vinda do Rio Grande do Sul, os caras não aliviam, apresentando um Thrash Metal forte, com vocais agressivos, riffs marcantes e afiadíssimos, além de uma parte rítmica coesa, técnica e bem diversificada. A maturidade apresentada aqui realmente impressiona, ainda mais quando você se dá conta que esse é apenas o seu trabalho de estreia. Eis mais uma grande revelação do Sul, com potencial para logo estar entre os grandes do |Metal nacional. (8,5)

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sodoma - Mutapestaminação (2016)


Sodoma - Mutapestaminação (2016)
(Altera Pars Records - Nacional)


01. Audiatur et Altera Pars
02. Pesthereticanonica
03. 7Strega
04. Mutapestaminação
05. Libertinos
06. Devora-te
07. Ramaerata
08. Destrói Dei Verbum
09. Viperovz Papisa

A riqueza do cenário nacional é algo indiscutível. Por mais que muitos se recusem a enxergar, a verdade é que aqui temos bandas tão boas quanto qualquer uma que venha do exterior. E olha que, por toda a situação econômica e pela falta de valorização do estilo no Brasil, a luta para se manter uma banda é muito mais árdua por aqui do que na Europa ou América do Norte. O paraibano Sodoma é um exemplo disso. Surgido em 2003, soltou duas demos, Sadomazocristo (05) e Renascida em Trevas (08), só chegando ao seu debut em 2011, com o muito bom Sempiterno Agressor, onde em 10 temas, desfilava o seu furioso Blackened Death Metal.

Então, após um hiato de 5 anos, o Sodoma nos apresentou Mutapestaminação, onde mostram que o tempo decorrido entre um álbum e outro só lhes fez bem. Não entendam mal, como eu mesmo já disse acima, seu debut é um trabalho muito bom, mas a evolução apresentada entre um e outro é algo realmente incrível. E o melhor, sem perder quaisquer das características da banda. Sua música continua bruta, agressiva (diria que até mais que na estreia) e blasfema, mas soando ainda mais técnica, bem-arranjada e acabada, enquanto boas melodias surgem em meio a riffs afiadíssimos.

A forma como conseguem equilibrar bem os elementos de Death e Black em sua música lembra os melhores momentos de nomes como Behemoth, Belphegor, Azarath, Angel Corpse e afins, além de gerar uma música que consegue soar ao mesmo tempo infernal e soturna. Na maior parte do tempo, a velocidade predomina sobre as passagens mais cadenciadas (que, quando surgem, são muito bem encaixadas), com um belo trabalho de guitarra da dupla Samidarish e Seth. Os vocais de Hate Devoro estão doentios, enquanto seu baixo faz uma bela dupla com a bateria de Dagon. Por sinal, em diversos momentos, a parte rítmica assume o protagonismo das canções.


Descontando a breve introdução, temos aqui 8 verdadeiros hinos de mais puro louvor à luxúria e à blasfêmia, todos cantados em nossa língua pátria. Os principais destaques ficam por conta de “Pesthereticanonica”, veloz, diversificada e brutal, com um belo trabalho das guitarras, a insana “7Strega”, a infernal “Mutapestaminação”, onde Hate Devor e Dagon mostram muita técnica em seus instrumentos, a doentia e sombria “Ramaerata”, outra onde as guitarras se destacam, e o encerramento com a insana e feroz “Viperovz Papisa”.

Gravado em 3 estúdios diferentes, SG Studio Digital, 1404 Studios e Estúdio Peixe-boi, todos em João Pessoa/PB, Mutapestaminação teve produção, mixagem e masterização realizadas por Victor Hugo Targino (Soturnus, Conclave, Metacrose, Cangaço, Necrohunter), com um bom resultado, já que manteve a clareza, o peso e a agressividade, mas com a dose de crueza necessária para o Death/Black dos paraibanos. Já a capa é obra de Rafael Tavares (Blood Red Throne, Ocultan, Chaos Synopsis, Torture Squad, Queiron) e reflete com perfeição o conteúdo lírico blasfemo do Sodoma.

Provando que evoluir e amadurecer não significa perder suas características, o Sodoma dá um passo à frente e se coloca na ponta de lança do cenário Death/Black brasileiro. Uma verdadeira hecatombe em forma de música!

NOTA: 8,0

Sodoma é:
- Hate Devoro (vocal/baixo);
- Samidarish (guitarra);
- Seth (guitarra);
- Dagon (bateria).

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Evil Sense - Fight for Freedom (2017)


Evil Sense - Fight for Freedom (2017)
(Erinnys Productions - Nacional)


01. No More Lies
02. Embrace of Death
03. Império Headbanger - O Ritual Metal
04. Traveling by Warriors Land
05. Force and Honor
06. Unit 731
07. Thrash Anger
08. Fight for Freedom
09. Evil Sense

A vida de uma banda de Heavy Metal no Brasil nunca será fácil, e a trajetória do Evil Sense mostra bem isso. Surgido em 2000, lutaram para estabilizar uma formação, gravaram 3 demos, Horseman of Apocalypse (02), Coma of Your Brain (06) e In Thrash We Trust, e finalmente, 17 anos depois de sua formação, finalmente conseguiram chegar ao seu debut, Fight for Freedom. Uma caminhada dura, árdua, mas que finalmente foi recompensada.

Musicalmente não apresentam qualquer novidade ou inovação. Sua aposta é cravar de forma bem firme seus pés nos anos 80, apresentando um Thrash/Speed que recebe boas influências de Metal Tradicional. Todos os clichês do período se fazem presentes aqui. Aí você certamente vai se perguntar: isso é ruim? Olha, de forma alguma, pois tudo é uma questão de como você vai utilizá-los, e no caso do Evil Sense, fazem isso de forma muito competente e sem procurar emular algum nome em específico.

Aqui temos uma música enérgica, crua e ríspida, com vocais bem agressivos, riffs cortantes, bons solos e uma parte rítmica que mostra boa técnica, se destacando em diversos momentos do CD. São 9 canções que vão direto ao ponto, sem qualquer enrolação, com destaque para  a agressiva “No More Lies”, que abre o trabalho, “Embrace of Death”, com riffs muito bons, a instrumental “Traveling by Warriors Land”, com influência de Metal Tradicional (lembra daquelas instrumentais dos primeiros álbuns do Maiden?) e um trabalho tão bom das guitarras que você nem sente a falta de um vocal, “Force and Honor”, outra com sonoridade mais Heavy, bom peso e ótimos riffs em seus mais de 8 minutos, “Thrash Anger”, que faz jus ao nome, carregada de energia e totalmente raivosa, e “Evil Sense”, que encerra o álbum e possui um trabalho muito bom da dupla de guitarristas.


Gravado e mixado no KW Home Estúdio/SP, com produção de Alexdog (Tenebrario) e da própria banda, o resultado, apesar de soar um pouco cru demais, não chega a comprometer, ainda mais se tratando de um debut. Algo um pouco mais bem trabalhado vai deixar a coisa ainda melhor aqui. O importante é que, acima de tudo, todos os instrumentos estão bem claros e pesados, além de bem timbrados. Até aqui o clima oitentista prevalece.

No final, temos em mãos um bom trabalho de estreia, indicado aos bangers mais saudosistas, e que mostra uma banda que, com pequenos ajustes aqui e ali (um pouco mais de identidade e uma produção levemente mais bem trabalhada), tem tudo para estar entre as principais do estilo no país. Altamente indicado para fãs de bandas como Slayer, Exciter, Artillery e afins.

NOTA: 8,0

Evil Sense é:
- Wagner “Capu” (vocal/guitarra);
- Thiago “Suco” (guitarra);
- Hugo (baixo);
- Ricardo (bateria).

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Affront - Angry Voices (2016)


Affront - Angry Voices (2016)
(Cianeto Discos - Nacional)


01. Scum of the World
02. Angry Voices
03. Affront
04. Conflicts
05. Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)
06. Mestre do Barro
07. Religions Cancer
08. Under Siege
09. Carved in Stone
10. WarTime Conspiracy
11. Echoes of the Insanity
12. Under Siege (Participação especial: Marcelo Pompeu)

Devido ao sério problema de saúde pelo qual passou o vocalista Felipe Eregion, o Unearthly acabou por fazer uma pausa na carreira. Com isso, o baixista M. Mictian (que aqui também assume os vocais) e o guitarrista Rafael Rassan resolveram, ao lado do baterista Jedy Nahay (hoje a vaga é ocupada por Thiago Caneda, do Forkill), iniciar uma nova empreitada, que recebeu o nome de Affront. E sem perder tempo, no final de dezembro do ano passado já foram tratando de soltar o seu debut, Angry Voices.

Meus amigos, pensem em um álbum ignorante. Aqui você se depara com um Thrash/Death estupidamente rápido, agressivo e violento, que não tem nenhuma clemência com os pescoços alheios, mas que foge daquele clichê de apostar em uma sonoridade Old School, já que investe mais em andamentos quebrados e passagens mais intrincadas. Esse é um dos diferenciais do Affront. São 12 músicas que possuem altíssimo poder de destruição, com vocais rasgados, guitarras velozes e que despejam alguns riffs simplesmente brutais e uma bateria totalmente fora de controle (no bom sentido).

Um outro diferencial com relação ao trio é que eles não têm medo de experimentar. Vide, por exemplo, os elementos de música regional incorporados em algumas canções, o que acaba por enriquecer demais o resultado final de Angry Voices. E vale dizer também que, apesar da brutalidade e velocidade impostas aqui na maior parte do tempo, sua música mostra diversidade e ótimas melodias. A forma coesa e madura como conseguem equilibrar todos os elementos presentes em sua música é algo que definitivamente impressiona.

O álbum já abre de forma violenta, com “Scum of the World”, que se destaca pela agressividade e pelo belo trabalho da parte rítmica. “Angry Voices” vem na sequência, alternando algumas passagens um pouco mais cadenciadas com momentos velozes, além de esbanjar peso, sendo seguida por “Affront”, ríspida e com uma bateria avassaladora, e por “Conflicts”, outra que mescla cadência e velocidade, além de contar com boas melodias de guitarra. Temos então um momento de refresco para o pescoço, com a instrumental “Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)”, com belos elementos acústicos que acabam por torná-la o momento mais sombrio do álbum.


“Mestre do Barro” é uma homenagem ao artesão nordestino Vitalino Pereira dos Santos, também conhecido como Mestre Vitalino (1909-1963), respeitado em todo o mundo por sua arte feita com barro (possui obras expostas no Louvre, em Paris, dentre outros museus no Brasil e mundo afora). Aqui, temos elementos regionais muitíssimos bem encaixados, mesclados à agressividade e ao peso do Thrash/Death. “Religions Cancer” soa um pouco mais tradicional e mantém os níveis de violência e agressividade bem altos, enquanto “Under Siege” se destaca principalmente pelo bom trabalho de guitarra. “Carved in Stone” tem uma levada mais arrastada e boas melodias e “WarTime Conspiracy” vai na direção contrária, esbanjando velocidade e agressividade. Finalizando, a bela instrumental “Echoes of the Insanity” surge em toda a sua melancolia e com toques de violão flamenco. De bônus, ainda temos uma versão de “Under Siege” com participação para lá de especial de Marcelo Pompeu, do Korzus, que deixou a canção ainda melhor.

Gravado no Musicalico Studio, com produção de Rassan e Mictian, e com mixagem e masterização realizados por Daniel Escobar, o resultado final é muito bom, já que deixou tudo claro e audível, mas sem abrir mão da agressividade e de certa dose de sujeira. A arte da capa é mais um belo trabalho do renomado Marcelo Vasco, com concepção e layout feitos por Mictian. Ao final, temos um álbum equilibrado, bruto e violento, que faz jus à carreira dos músicos aqui envolvidos, além de nos deixar ansiosos pelos trabalhos vindouros do Affront. Mas já fique avisado, prepare o relaxante muscular e o telefone do ortopedista, pois as chances de ficar sem pescoço aqui são grandes.

NOTA: 8,5

Affront (gravação):
- M. Mictian (vocal/baixo);
- Rafael Rassan (guitarra);
- Jedy Najay (bateria).

Affront é:
- M. Mictian (vocal/baixo);
- Rafael Rassan (guitarra);
- Thiago Caneda (bateria).

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domingo, 1 de outubro de 2017

Melhores álbuns – Setembro de 2017


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de setembro na opinião do A Música Continua a Mesma.


 
 


 



 

Menções Honrosas

Septicflesh - Codex Omega  




 

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Leprous – Malina (2017)
(InsideOut Music – Importado)
 

Não dá para discutir que a música do Leprous se aproxima muito mais do Rock Progressivo do que do Metal. Mas ainda assim, o peso se faz presente em sua música, e nesse ponto a parte rímica se mostra essencial, mesmo que as guitarras, bem limpas, resvalem no pop em alguns momentos. Malina passa a milhas de distância de ser um álbum ruim e muitos fatores ajudam nisso. A voz de Einar Solberg continua fazendo a diferença, os refrões são excelentes e grudentos e as músicas, além de soarem sofisticadas e técnicas, possuem boas harmonias. O pé no pop, que colocam em alguns momentos, em nada afeta a qualidade do trabalho. Pode não estar no nível dos excelentes Bilateral (11) e Coal (13), mas ainda assim é um belo trabalho. (8,0)

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Labÿrinth - Architecture of a God (2017)
(Frontiers Records – Importado)
 

Lá se vão mais de 2 décadas de estrada, e o Labÿrinth chega ao seu 8º álbum de estúdio. Com seu núcleo duro formado pelos guitarristas Andrea Cantarelli e Olaf Thörsen e pelo vocalista Roberto Tiranti, firme e forte, apresentam aqui um Power/Prog classudo e que procura fugir das fórmulas prontas adotadas por outras bandas italianas do estilo. As guitarras são responsáveis por ótimas melodias, mas também por dar um toque de agressividade ao trabalho, os vocais de Roberto se mostram muito emocionais, principalmente nas semi-baladas aqui presentes (algo que sempre fizeram muito bem), e o estreante tecladista Oleg Smirnoff (ex-Vision Divine) esbanja virtuosismo, mas sem pedantismo. Sem dúvida alguma o trabalho mais consistente da banda desde Return to Heaven Denied (98). (8,0)

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The Ruins of Beverast - Exuvia (2017)
(Ván Records – Importado)
 

Se assim como eu, você julgava improvável o The Ruins of Beverast superar ou, pelo menos, igualar os clássicos Unlock the Shrine (04) e Rain Upon the Impure (06), saiba que Alexander von Meilenwald (o dono de tudo aqui) acaba de nos provar que estávamos equivocados. Abusando do experimentalismo e mesclando Atmosférico, Black, Doom, Industrial e batidas tribais, acaba por gerar uma sonoridade melancólica e sufocante. Não se espante se em alguns momentos você se sentir meio a um ritual macabro executado por um Xamã satânico. Vale dizer que apesar da grande quantidade de elementos na música do TROB, em momento algum as guitarras perdem o protagonismo, já que aqui temos alguns dos melhores riffs da carreira da banda. Um dos destaques de 2017. (9,0)

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Cannabis Corpse - Left Hand Pass (2017)
(Season of Mist – Importado)
 

Para quem ainda desconhece, o Cannabis Corpse é um dos projetos paralelos de Landphil, do Municipal Waste, e que hoje conta com músicos de bandas como Gatecreeper, Six Feet Under e The Black Dahlia Murder. Surgido como uma paródia ao Cannibal Corpse, com temática voltada para a maconha, com o tempo ampliou suas referências para outras bandas clássicas de Death Metal. E é isso que temos aqui, Death Metal Clássico, sem inovações ou invenções. E não dá pra discutir, mesmo sem apresentar nada de diferente do que já foi feito, sua música é sólida e acima de tudo, divertida. Certamente vai agradar os fãs do estilo. (7,5)

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Foredoomed - Ordeal (2017)
(Independente – Importado)
 

Imagine uma banda de Death Metal Melódico que mescla em sua sonoridade Insomnium e Dream Theater. Pois é isso que os finlandeses do Foredoomed nos apresentam em seu álbum de estreia. Aqui o peso, a agressividade e as boas melodias de guitarra recebem o reforço dos sintetizadores, que remetem diretamente ao som dos americanos. As vocalizações também são variadas, já que em muitos momentos alternam entre vocais agressivos e limpos, o que funciona muito bem dentro da proposta musical da banda. São nos momentos em que essas características se mostram mais acentuadas, que conseguem fugir dos clichês do estilo e obtêm seus melhores resultados. Uma das estreias mais interessantes que escutei nesse ano de 2017. (8,0)

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Maat - Monuments Will Enslave (2017)
(Aural Attack Productions – Importado)
 

As comparações com o Nile certamente são inevitáveis, afinal, estamos falando de uma banda de Death Metal com temática lírica voltada para o Egito Antigo, mas nada é mais injusto que isso. Sua sonoridade se aproxima muito mais de nomes como Vader e Behemoth, com os elementos de música oriental surgindo incorporados no instrumental, principalmente nos riffs de guitarra. Então, se espera passagens atmosféricas, com instrumentos típicos, não vai encontrar isso aqui. A atmosfera aqui gerada é bem densa, principalmente pelos riffs agressivos, pelos refrões fortes e pelas músicas muito bem estruturadas. Em seu segundo trabalho (o debut, As We Create Hope from Above, é de 2014), o Maat continua sua evolução e tem tudo para se tornar uma das grandes bandas do estilo nos próximos anos. (8,0)

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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Desdominus - Without Domain (2003/2017)


Desdominus - Without Domain (2003/2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Supremacia Underground
02. Opposition Warrior
03. Without Domain
04. False Creator’s Creator
05. The Other Side... (Atheist Mind)
06. Intro*
07. Reality of Whispers Mine*
08. Ejaculate in Your Stupidity*
09. The Fall and the Vision*
10. Judgement of the Souls*
*Bonus Tracks: Judgement of the Souls - Demo 1999

E lá se vão quase 25 anos de serviços muito bem prestados ao Death/Black nacional. Surgido em Americana/SP, no ano de 1993, o Desdominus tem uma discografia sucinta se comparada com seu tempo de existência (3 demos e 3 CD’s), mas que é de suma importância pela qualidade apresentada em seus lançamentos. Vide por exemplo o caso de Uncreation, seu último trabalho, que foi um dos melhores lançamentos nacionais de 2015. Mas toda caminhada tem um início, e é ele que temos aqui, graças à iniciativa da Heavy Metal Rock de relançar o debut da banda, Without Domain.

Claro que não iremos encontrar aqui a mesma sonoridade dos dois trabalhos seguintes, Devastating Millenary Lies (13) e Uncreation, até porque existe um lapso de tempo considerável entre os mesmos, além de músicos diferentes envolvidos (apenas o baterista Ney Paulino se mantém na banda desde seu início), mas já era possível perceber que estávamos diante de uma banda diferenciada, que não poderia ter seu estilo rotulado simplesmente como Death/Black.

Em Without Domain, apesar de notarmos algumas similaridades com o Dissection, já podíamos observar que o então trio formado por Douglas (vocal/guitarra), Willian Gonsalves (guitarra/baixo/vocal limpo) e Ney Paulino (bateria) começava a forjar uma identidade sonora para o Desdominus. As canções aqui presentes se mostravam bem variadas e muito bem trabalhadas. Apresentam também um bom nível de complexidade e técnica, mostrando que não estávamos diante de uma banda qualquer. E, apesar de as composições serem brutas, é possível notarmos boas melodias inseridas nas mesmas, mas tudo de forma muito bem equilibrada. Podemos - e devemos - dividir o álbum em duas partes bem distintas. As 5 primeiras canções compõem Without Domain, enquanto a sua segunda metade é composta pela demo de 1999, Judgement of the Souls, que foi incluída como bônus aqui.

“Supremacia Underground”, que abre o CD, tem sua letra em português e, apesar de ser relativamente curta se comparada com as faixas seguintes, mostra boa variedade de ritmo. É um bom exemplo de Blackened Death Metal que une peso, agressividade e boas melodias. Já “Opposition Warrior”, assim como as demais músicas, começa com uma narração em português feita por Ney, para depois explodir em brutalidade. Podemos observar aqui a boa técnica da banda, assim como solos de muita qualidade. Os solos também são elemento de destaque em “Without Domain”, que despeja bons riffs, além de possuir arranjos bem interessantes. Cabe também uma menção aos vocais de Douglas, muito bons e que soam tipicamente Black em todo o álbum. “False Creator’s Creator” se mostra mais cadenciada em seu início e possuidora de ótimas melodias, além de ser bem variada, mas nunca abrindo mão da agressividade e do peso. “The Other Side... (Atheist Mind)”, encerra Without Domain de forma acústica e com boas melodias. 


Em seguida, temos as músicas que compõem a demo Judgement of the Souls, as quais mostram-se naturalmente mais cruas, mas também bem pesadas e agressivas. Após uma introdução, temos “Reality of Whispers Mine”, bem pesada, variada e que conta inclusive com alguns vocais femininos. “Ejaculate in Your Stupidity” esbanja brutalidade e agressividade, enquanto “The Fall and the Vision” se mostra mais cadenciada (apesar de momentos mais velozes da sua metade para frente) e detentora de um bom trabalho de guitarra, principalmente no que tange aos riffs. Finalizando, temos a mais que violenta “Judgement of the Souls”.

Chama a atenção o fato de que, apesar de as gravações aqui presentes datarem de 1999 e 2003, as mesmas apresentam um bom nível, melhores até do que algumas que escuto em trabalhos nacionais lançados recentemente. Além disso, nesse relançamento Without Domain vem embalado em um digipack caprichado, o que torna sua aquisição ainda mais interessante. Já mostrando personalidade e mesclando muito bem peso, agressividade, brutalidade e boas melodias, o debut do Desdominus não só resistiu ao teste do tempo, como é um trabalho que todo fã de Death/Black deveria ter em sua coleção.

NOTA: 8,0

Desdominus é (gravação):
- Douglas (vocal/guitarra);
- Willian Gonsalves (guitarra/baixo/vocal limpo);
- Ney Paulino (bateria).

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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Hatefulmurder - Red Eyes (2017)


Hatefulmurder - Red Eyes (2017)
(Secret Service Records - Nacional)


01. Silence Will Fall
02. Red Eyes
03. Tear Down
04. Riot
05. The Meaning of Evil
06. Time Enough At Last
07. My Battle
08. You´re Being Watched
09. Creature of Sorrow

Uma das coisas mais legais quando você acompanha constantemente o trabalho de uma banda é poder observar o seu desenvolvimento e crescimento. Meu primeiro contato com o Hatefulmurder foi com o EP The Wartrail (11), e nele já era perceptível a qualidade do seu Thrash/Death. E foi essa qualidade que foi confirmada em 2014 no seu debut, No Peace. Quem teve a oportunidade de assisti-los ao vivo durante a turnê de divulgação pôde ver uma banda que estava na “ponta dos cascos”, literalmente quebrando tudo. Mas após o término da mesma, o vocalista Felipe Lameira anunciou seu desligamento da banda, o que não deixou de ser um baque para quem acompanhava o trabalho dos cariocas.

Felizmente, Renan Ribeiro (guitarra/vocal), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria) não deixaram que o golpe os abatesse e logo anunciaram Angélica Burns (ex-Scatha, ex-Diva) para assumir o posto deixado por Felipe. Confesso que respirei aliviado, por já conhecer a capacidade da mesma por seu trabalho na Diva, mas muita gente ficou com um pé atrás em um primeiro momento, talvez por não acompanhar de tão perto o cenário underground. De lá pra cá muita água passou por debaixo da ponte, shows ocorreram, mas se ainda existiam dúvidas a respeito da nova formação, ela foi sanada de vez com seu 2º trabalho, Red Eyes.

Certamente existirão aqueles que tentarão traçar comparações entre o Hatefulmurder e o Arch Enemy, não só pelo Thrash/Death Metal Melódico praticado aqui, como também pelo fato de ambas contarem com uma vocalista. Bem, não dá para negar que podemos até encontrar pontos em comum aqui e ali, mas a verdade é que Red Eyes é muito mais que isso. É acima de tudo um trabalho muito forte, com composições inspiradas e que consegue equilibrar de forma muito madura elementos como agressividade e melodia, sem perder a essência de sua sonoridade.

Os vocais de Angélica estão ótimos e são responsáveis por uma parcela de agressividade das músicas. Podemos notar também a inclusão de alguns vocais limpos, que confesso, aos meus ouvidos, soaram um pouco estranhos e não funcionaram tão bem, soando um tanto quanto desnecessários às canções, mas também não chegam a comprometer. O trabalho de guitarra de Renan é simplesmente ótimo, esbanjando peso, criatividade, com riffs marcantes e boas melodias. Já a parte rítmica, com Felipe e Thomas não fica atrás, mostrando boa técnica, coesão e muita diversidade.


São 9 músicas que conseguem manter um nível alto de qualidade, mas com alguns destaques evidentes. Músicas como “Silence Will Fall”, bruta, agressiva e que abre o álbum da melhor forma possível, e “Tear Down”, onde os vocais limpos até funcionam bem em alguns momentos, mostram uma pegada mais moderna, saindo do lugar-comum de muitas bandas brasileiras quando o assunto é Thrash/Death. “Red Eyes”, além dos ótimos riffs, tem um refrão marcante, assim como a ótima “Riot”, que compartilha tais características. Outra que vale destacar é “My Battle”, que mescla não só velocidade com partes mais cadenciadas, como também melodia e agressividade. De quebra ainda temos a participação de Mayara Puertas (Torture Squad) nos vocais da ótima e bruta “Time Enough At Last”.

Gravado por Celo Oliveira, Felipe Eregion e Rafael Sentoma, nos estúdios Casa do Mato e Kolera Studio, Red Eyes recebeu a produção de João Milliet, tendo um resultado final muito bom. Está tudo limpo, claro, com todos os instrumentos 100% audíveis, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Sinceramente, não fica devendo nada se comparado a 90% das produções que escuto vindas do exterior. Já a bela capa foi obra do grego Orge Kalodimas (pesquisem o trabalho dele na internet, é muito bom!), com arte e design de Eregion (Lacerated and Carbonized, Vociferatus, Unearthly). Simplesmente ótimo!

Renovado, mas sem perder a sua essência, e indo direto ao ponto (o álbum dura pouco menos de 32 minutos). Esse é o Hatefulmurder com o qual nos deparamos em Red Eyes, uma banda que caminha a passos largos para encontrar sua maturidade musical e fincar os dois pés no panteão dos grandes nomes da história do Metal no Brasil. Um dos melhores álbuns nacionais de 2017!

NOTA: 8,5

Hatefulmurder é:
- Angélica Burns (vocal);
- Renan Campos (guitarra/vocal);
- Felipe Modesto (baixo/vocal);
- Thomás Martin (bateria).

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Le Chant Noir - Ars Arcanvm Vodvm (2017)


Le Chant Noir - Ars Arcanvm Vodvm (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Tanz der Trommeln        
02. Forsaken Ghosts        
03. Wormslayer        
04. Cabaret de l'enfer        
05. The Luciferian Whetstone        
06. Bedeviled by Tchort        
07. Unleashed Dementia        
08. Portal Overture        
09. Ars Arcanvm Vodvm        
10. My Elders’ Cry        
11. Outro

Existiu um tempo onde os estilos musicais eram muito bem definidos, delimitados. Quando você tinha em mãos um álbum de Black, de Death, de Doom, você sabia exatamente o que ouviria no mesmo. Mas em tempos de uma realidade tão fluída, o mesmo aconteceu com a música e, consequentemente, com o Heavy Metal. Limites estilísticos foram ultrapassados, ampliados, com músicos perdendo qualquer medo de experimentar e ousar em suas composições. Se para os mais conservadores isso é um crime, para aqueles que possuem a cabeça mais aberta é o verdadeiro paraíso.

O Le Chant Noir reúne em sua formação músicos renomados dentro do cenário do Black Metal nacional e internacional. Nos vocais e programação, temos Lord Kaiaphas (ex-Ancient), na guitarra e baixo, Mantus (Patria, Mysterris) e na bateria, guitarra, teclado e percussão, Leonardo D. Pagani, também conhecido como Malphas (ex-Demonolatry, ex-Mysteriis). Uma formação de primeira categoria e da qual só poderíamos esperar um Black Metal furioso e destruidor. Mas que graça teria se tudo fosse assim tão óbvio e músicos desse calibre não tivessem o direito de experimentar e de se arriscar fora de sua zona de conforto?

É exatamente isso que encontramos em Ars Arcanvm Vodvm, trabalho de estreia do Le Chant Noir. O Black Metal se faz presente? Com certeza, e isso nem poderia ser diferente dados os nomes envolvidos, mas some-se a eles a inclusão de elementos de Death Metal, Progressivo, Metal Tradicional, Música Clássica e Dark Ambient, fazendo da sonoridade do trio algo diferenciado, que ousa sair do padrão em matéria de estruturação das suas composições. Certamente não estamos diante de uma música de fácil assimilação por aqueles não acostumados com algo mais Avant-garde, mas quem aprecia algo mais experimental certamente aprovará o que temos aqui.

Os vocais rasgados e variados de Lord Kaiaphas se encaixam com perfeição na proposta musical do trio, enquanto as guitarras não só despejam bons riffs, como se mostram ríspidas e agressivas nos momentos em que isso se faz necessário. É nítida também a influência que elas possuem de Metal Tradicional, principalmente nos solos, onde podemos observar algumas melodias que te remetem diretamente aos anos 80. A parte rítmica se mostra bem coesa, forte e segura, esbanjando peso durante todo o tempo. Elementos percussivos são muito bem encaixados, assim como também o teclado, enriquecendo assim ainda mais a música do Le Chant Noir. O legal aqui é que, apesar dos arranjos mais complexos e dos momentos mais ambientais, nada soa confuso.


A introdução, com “Tanz der Trommeln”, se destaca não só pelos elementos sinfônicos (o álbum conta com a participação da Noir Royal Philharmonic Orchestra), como também pelo clima progressivo. “Forsaken Ghosts” possui um ótimo trabalho de guitarra, boas melodias, que dão a ela um clima soturno, além de um trabalho percussivo muito legal. “Wormslayer” é bem cadenciada, com algo de Doom, além de teclados muito bem encaixados, enquanto “Cabaret de l'enfer” é bem ríspida e agressiva, além de variada. Elementos atmosféricos e progressivos dão um tom soturno à ácida “The Luciferian Whetstone”, ao mesmo tempo em que o Black Metal dá as caras com força na furiosa “Bedeviled by Tchort”. Os teclados dão um clima bem sombrio à forte “Unleashed Dementia”, que possui também um belo trabalho de guitarra. A instrumental “Portal Overture” é outra que trafega entre o Progressivo e o Ambient com bons resultados. A sequência final se dá com a bruta “Ars Arcanvm Vodvm”, que mescla agressividade e rispidez com elementos sinfônicos, percussivos e boas melodias de teclado e guitarra (preste atenção no solo) e “My Elders’ Cry”, outra a se enveredar um pouco mais pelo Black Metal. Encerrando, temos um Outro.

A produção é muito boa, clara e orgânica, com destaque para os timbres escolhidos, que passam uma saudável crueza que se encaixa 100% na sonoridade proposta pela banda. A capa, umas das mais belas que vi esse ano, e o restante do ótimo trabalho gráfico foram obra de Marcelo Vasco/Mantus (Slayer, Kreator, Brujeria, Dimmu Borgir, Borknagar, Testament). O CD ainda vem embalado em um belo slipcase.

Fugindo da zona de conforto de seus integrantes e apresentando um trabalho complexo e instigante, o Le Chant Noir surpreende e se candidata ao posto de uma das revelações de 2017, além de, claro, nos fazer torcer para que tal projeto se estabilize a ponto de lançar muitos outros álbuns.

NOTA: 8,5

Le Chant Noir é:
- Lord Kaiaphas (vocal/programação);
- Mantus (guitarra/baixo);
- Leonardo D. Pagani (bateria/sintetizador/guitarra/percussão/marimba/timbales/vibrafone)

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domingo, 24 de setembro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Ghost Bath - Starmourner (2017)
(Nuclear Blast Entertainment – Importado)
 

Eis uma banda que se ama ou odeia, afinal, seu Depressive/Post-Black Metal sempre desperta extremos. Se em seu trabalho anterior, Moonlover (15), o Ghost Bath seguiu um caminho mais atmosférico, em Starmourner é a agressividade que se sobressai, graças a riffs tipicamente Black que surgem a todo momento, fazendo deste o seu álbum mais pesado. Ainda assim, as passagens mais atmosféricas continuam mais que presentes, dando diversidade ao álbum e gerando uma espécie de jogo de luz e sombra musical, já que é capaz de despertar sentimentos díspares como agonia e esperança. Certamente seu trabalho mais maduro e original. (8,5)

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Lich King – The Omniclasm (2017)
(Independente – Importado)
 

Eis uma das bandas mais legais surgidas nessa onda Retrô-Thrash dos últimos anos. Lá se vão 5 anos desde o lançamento de Born of the Bomb, e nesse meio tempo os fãs tiveram apenas o EP Do-Over para saciar a sede pelo Thrash Metal dos americanos. Sem tirarem o pé do acelerador, em The Omniclasm nos entregam um dos melhores álbuns do estilo em 2017. Veloz, pesado e agressivo, temos aqui uma profusão de ótimos riffs, um pé bem fincado no Punk e letras que trafegam entre o bom humor e o cinismo, algo que sempre marcou sua carreira. É original? De forma alguma, mas ainda assim é muito bom e vai render 43 minutos de pura diversão. Além de ossos e vértebras triturados. (8,5)

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The Great Old Ones – EOD: A Tale of Dark Legacy (2017)
(Season of Mist – Importado)
 

Os franceses do The Great Old Ones são uma das bandas mais competentes e instigantes do cenário Black da atualidade. Com seu conteúdo lírico voltado para a obra de H.P. Lovecraft, o quinteto capitaneado pelo guitarrista e vocalista Benjamin Guerry nos apresenta em seu 3º álbum um trabalho baseado no livro A Sombra de Innsmouth. A forma como conseguem levar o ouvinte para dentro da história, transformando em música a narrativa do escritor americano, é algo incrível. Com riffs sombrios e uma atmosfera assombrosa, de mistério e loucura, tudo aqui reflete musicalmente a gradeza do material retratado. Uma aula em forma de Metal e Literatura. (9,0)

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Attic – Sanctimonious (2017)
(Ván Records – Importado)
 

Imaginem um grupo de caras muito fãs de King Diamond/Mercyful Fate. Após um hiato de 5 anos, os alemães do Attic finalmente apresentam o sucessor do bom The Invocation, se mantendo firme e forte no caminho trilhado pelo Rei Diamante. O clima de horror emanando de cada canção, uma história que une satanismo e uma freira pecadora, riffs que poderiam ser tocados por Andy LaRocque, Michael Denner ou Hank Shermann, os vocais em falsete de Meister Cagliostro, que quase emulam o de King, tudo aqui nos remeterá à obra de Kim Bendix Petersen. Você pode até querer argumentar que isso já foi feito de forma muito superior em álbuns como Fatal Portrait ou Abigail, mais isso não tira o mérito de que a música do Attic é muito bem-feita e que  Sanctimonious é um álbum muito legal de se escutar. (8,0)

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Pagan Altar - The Room of Shadows (2017)
(Temple of Mystery Records – Importado)
 

Eis o último ato da lenda britânica do Heavy/Doom. Terry Jones partiu em 2015, mas antes deixou esse CD gravado. Seu filho e fiel parceiro de banda, Alan Jones, como último tributo ao pai, regravou parte do trabalho e o lançou com o nome de The Room of Shadows (originalmente se chamaria Never Quite Dead). O que temos aqui é aquela conhecida e competente mescla de Classic Rock. Heavy Metal e Doom, com os vocais bem característicos de Terry, bons riffs, passagens acústicas interessantes e uma sensação de saudosismo que se abate sobre o ouvinte, quando se lembra que não mais teremos oportunidade de escutar o Pagan Altar novamente. Uma despedida merecida e muito digna. (8,5)

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Broken Hope - Mutilated and Assimilated (2017)
(Century Media Records – Importado)
 

Capitaneado pelo guitarrista Jeremy Wagner, o Broken Hope chega a seu 7º trabalho de estúdio (o segundo desde a volta em 2012) apresentando exatamente o que esperamos, ou seja, Death Metal clássico, bruto, direto e sem enrolação. Você pode argumentar que isso não é nada diferente do que apresentaram em todos os seus trabalhos anteriores, e certamente estará certo, mas a verdade é que temos aqui alguns dos melhores riffs dos americanos em muito tempo (aliás, Jeff Hanneman ficaria orgulhoso, já que ele é a principal influência aqui). Pode não ser um clássico como Swamped in Gore (91), mas ainda assim é um álbum onde temos um Death Metal sólido. Certamente vai agradar em cheio os fãs do estilo. (7,5)

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